domingo, março 06, 2016
segunda-feira, fevereiro 22, 2016
Vi 2 filmes hoje
Hoje vi dois filmes. Porque é domingo, e não porque sou uma falhada anti-social que não sai de casa. Embora também não seja totalmente mentira nos dias que correm.
O primeiro filme que vi foi The Man from U.N.C.L.E. (2015), que recomendo porque é mesmo filme de Guy Ritchie, não engana ninguém. Quem conhece os do 'Sherlock Holmes' reconhece bem. Está muito giro, porque faz serviço público. Um filme com, não só um ator principal muito jeitoso, mas sim dois, é de louvar e recomendar (Henry Canvill e Armie Hammer). Mas a Alicia Vikander também aparece eu gosto muito dela (The Danish Girl...).
Mas o segundo filme que vi, esse sim, é das comédias românticas mais engraçadas que já vi: Trainwrech (2015). Pronto, a Amy Shumer é uma tonta no filme, e uma daquelas bem exageradas. Contudo, subtraindo tudo o que é necessário para fazer uma comédia norte-americana, a história está gira. É mesmo assim que acontece, ou quase sempre.
Muitas mulheres passam a vida a falar mal dos homens. Julgam o todo pela parte. As pessoas nunca deixam de ser pessoas, e no fim todos queremos e procuramos as mesmas coisas. Claro que existem muitos homens que não prestam, mas se pensarmos bem, as mulheres que escolheram esses homens, escolheram os que têm mais opções, e as viram exatamente como tal: uma opção. Podem ter mais opções porque têm uma lata brutal, um carisma enorme (ou só um paleio excelente), uns abdominais gigantes, são lindos de morrer... Mas também o podem ter mulheres, e as pessoas às vezes não correspondem, têm defeitos, problemas, e daddy issues... Magoam-se umas às outras. Sempre. Todos os dias. E é muito triste, mas é mesmo assim...
Temos de admitir que não é com esses homens que a maioria das mulheres acaba por casar. Casam (ou assentam) sem motivo aparente por alguém porque sentem algo que nem conseguem explicar, e que mais ninguém vê nem entende. E quase nunca era o galã do secundário. No fundo o coração quase não tem olhos. Pode ter. Pode até resultar. Mas no final das contas não é o mais importante.
Eu acho que toda a gente sabe isto. Mas pronto, achei que devia escrever.
Nicas
domingo, fevereiro 21, 2016
A crise dos 20
Os 20s são um intervalo de idades muito estranho. É-se adulto, mas não tanto nem mais ou menos. Temos energia, e queremos fazer tudo, mas geralmente não temos dinheiro. Temos visão mas somos desvalorizados, porque muito de nós caem facilmente na futilidade e na superficialidade. É um sacrifício muito grande fugir das massas, porque sabemos que é onde toda a gente está, e não queremos nem por nada estar sozinhos, porque não sabemos o bem que nos faz, mas conhecemos o mal.
Eu sou uma 'vinte e qualquer coisa' especialmente insatisfeita, e com o tempo tornei-me irritável, impaciente e fria.
Há uma altura muito estranha na vida em que percebemos que é na família que está o nosso melhor refúgio. Por vezes os melhores amigos tornam-se família. Mas noutras altura encontram outros caminhos, seguem diferentes caminhos, já não se identificam connosco e sentem-se melhor com outras pessoas. Mas as pessoas na nossa família nunca se vão embora inteiramente. Somos todos diferentes, mas todos lutamos pela felicidade uns dos outros. Os pais são um tesouro. São o maior tesouro que temos. E em certas alturas são as únicas pessoas que estão lá para nós, quando mais ninguém tem paciência para estar.
Mas o 20s não são para passar com os pais e com família. Os 20s são quando temos de trabalhar para nos tornarmos pessoas interessantes.
Nicas
quarta-feira, fevereiro 17, 2016
'Eu também tenho sonhos'
Ontem enquanto discutia com a minha mãe veio à tona o quanto esta época tem sido má para o meus pais, ela disse-me: 'Eu também tenho sonhos! O que é que eu faço com eles?'. Para que eu pudesse concretizar os meus, os meus pais não puderam concretizar os deles. Eu nunca me defini a mim própria de ingrata. Ingratidão nunca foi nada que sentisse em relação a nada. Mas o que ela disse, caí-me que nem uma bomba.
No outro dia um artigo do Público pareceu-me bastante convidativo a ler, mas não o li. Já sabia o que dizia. Falava de como a sociedade hoje em dia cultiva cada vez mais o 'Eu' em detrimento do 'Nós'. Que vivemos obcecados com o nosso reflexo, com os 'likes' do Facebook, e os corações do Intragram. Que somos cada vez mais egoístas. Que o sucesso individual é mais importante do que o colectivo. Talvez. Mas as pessoas que tiraram essas conclusões provavelmente basearam-se na quantidade de pessoas que povoa descontroladamente as redes sociais. E está enganada. Pessoas egocêntricas sempre existiram. Têm é mais recursos agora. Mas não são a maioria.
Por menor que seja a fé que tenhamos na humanidade, temos de dar a César o que é de César. É típico da juventude andar-se perdido, é típico ser-se alvo fácil de tudo o que é novo (aka tecnologias), e típico também quer que gostem de nós (aka ser fixe). A juventude sempre foi o problema, sempre esteve mal, sempre foi de mal a pior.
Não é justo comparar a atitude da minha mãe com a minha. É normalmente que eu nunca tenha pensado nos sonhos da minha mãe. Ela é uma senhora adulta. É a minha mãe. Há muito pouco que eu possa fazer em relação aos seus sonhos.
É mais fácil ver a vida como a 'timeline' que ela é. Eu acredito que daqui a uns anos quando esta geração de 'gente egoísta' tiver filhos, vai ser qualquer coisa parecida com a minha mãe, capazes de sacrificar os seus sonhos pela educação superior dos filhos. O bem colectivo da família. Porque é que o que faz parte. É o que faz sentido. Duvido que irão ser malta quarentona a contar 'likes' no Facebook.
Nicas
terça-feira, fevereiro 16, 2016
Desestigmatizar
Hoje tive uma troca de pontos de vista com a minha irmã sobre a eutanásia. De um lado uma enfermeira de cuidados intensivos, e do outro uma veterinária 'wannabe'. Tinha tudo para correr mal.
Os veterinários consideram mais 'humano' aliviar o sofrimento, e deixar que os animais partam deste mundo com dignidade, quando já não há nada que se possa fazer. Mas contudo, quando falamos realmente de 'humanos' existem pessoas que não consideram mais 'humano' deixar que as pessoas partam deste mundo com a mesma dignidade e ausência de sofrimento. Fala-se da evolução da Medicina, dos cuidados paliativos, e dos testamentos vitais. Okay, e daí?
Para mim o que faz sentido é que todas a pessoas sejam capazes de atingir a felicidade, qualquer que seja a definição que têm de 'felicidade', respeitando a sua liberdade, e claro a dos outros. É o tal 'dizer': A minha liberdade acaba quando começa a tua'.
Não faz sentido para mim que um grupo de pessoas em posição privilegiada possam opinar sobre questões que não entendem, e que concernem a outras pessoas. É como o casamento e a adopção por casais homossexuais: Quem raio sou eu para opinar sobre o que um grupo de pessoas do qual eu não faço parte pode ou não fazer com as suas vidas? E não me venham com a conversa do superior interesse da criança... Perguntem-lhe: Olha, achas estas pessoas simpáticas, achas que vais gostar de viver com elas?. Ah e tal, depois são gozadas na escolas: Eu também fui muito gozada na escola, e os meus pais são heterossexuais. Faz confusão? Também há muita coisa que me faz confusão.
Isto para dizer que se alguém acha que sua vida já não faz sentido, porque a sua condição de saúde não permite que viva a sua vida em pleno, e está em sofrimento, não devia haver ninguém que pudesse tirar o direito à pessoa de morrer com a dignidade que quer. Claro que não se pode tirar a nenhum profissional de saúde a opção de fazer objeção de consciência, mas é só mais uma escolha que se dá, e isto não devia fazer confusão a ninguém.
Nicas
segunda-feira, fevereiro 15, 2016
Dias que aleijam Part. II
Ontem foi então o 'pior dia do ano'. Não foi assim tão mau. Uma coisa interessante (e assustadora) acerca do Facebook, é que ele sabe tudo. A maior parte dos artigos e das publicações que surgem seguem um padrão. Por isso, coincidência ou não, não me apareceram coisas muito lamechas no News Feed. A verdade é que naquela altura em particular, eu nem sequer estava muito preocupada, ou sequer ressabiada como estava no dia em que escrevi o outro post. O Sporting tinha passado para o 1º lugar do campeonato, e aquele rasgo de alegria abriu-me o espiríto. Chamemos-lhes prioridades.
A minha veia curiosa já me fez por várias vezes ir à procura de estudos e explicações para o Amor romântico. O que é isso? Porque (me) nos afeta tanto? Nos traz tanta alegria, mas tanta tristeza? O TED é um excelente 'sítio' para procurar formas inspiradoras de olhar para os assuntos. Informação é poder, e é a melhor ferramenta para entendermos as questões e sabermos pensar sobre elas.
Não existe qualquer tipo de consenso científico em relação ao amor, e o porquê de o sentirmos. Os mecanismos fisiológicos estão mais ou menos bem conhecidos, e até existem alguns estudos que explicam porque é que algumas pessoas demoram mais tempo do que outras a ultrapassar alguns desgostos amorosos. Esta última é bastante interessante, e está relacionada com a forma como a pessoa se vê a si própria, ou seja, pessoas que acreditam numa visão não estática e dinâmica da sua própria personalidade, são capazes de ultrapassar desgosto mais facilmente. Mas de resto, há pouca coisa, e são muito vagas. Testes com ressonância magnética...
Quando não há consenso científico objectivo sobre as coisas, nas mãos de quem é que ficam os assuntos? Dos filósofos... E eu não sei falar de Filosofia. Contudo desde Platão: 'Love makes us whole, again', (faz lembrar aquela música: 'Love, love will tears us apart, again' dos Joy Division, se calhar foi daí) passando por Buddah: 'Love is a misleading affliction', (um impedimento de atingir o Nirvana) até chegar a Beauvoir (grande senhora): 'Love let us reach beyond ourselves', muitas são as teorias sobre o que é, e para eu serve o Amor romântico.
Gostei muito da Simone de Beauvoir porque dizia: 'The problem with tradicional love is that it can be so captivating, that we are tempted to make it our only reason for being. Yet dependence on another to justify our existence easily leads to boredom and power games.', então dizia que vez disto: 'Lovers should support each other into discovering themselves, reaching beyond themselves, and enriching their lives and the world together.'
Afinal de contas, e segundo Brigid Delaney, podem haver muitas razões para se estar sozinho. Não significa que se seja um falhado. Pode simplesmente ainda 'não ter acontecido'.
Eu gosto de pensar que me encaixo em:
'Or you are single because love hurts too much and you are walking around pained by wounds that nobody can see – and that’s OK as well. Be single for a while, my friend, or maybe forever.'
quarta-feira, fevereiro 10, 2016
Dias que aleijam
Está a chegar um dos piores dia do ano, o dia dos namorados ou dia de S. Valentim.
Se formos à Wikipedia, podemos ler:
'O imperador Cláudio II, durante seu governo, proibiu a realização de casamentos em seu reino, com o objetivo de formar um grande e poderoso exército. Cláudio acreditava que os jovens, se não tivessem família, iam alistar-se com maior facilidade. No entanto, um bispo romano continuou a celebrar casamentos, mesmo com a proibição do imperador. Seu nome era Valentim e as cerimonias eram realizadas em segredo. A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens jogavam flores e bilhetes dizendo que os jovens ainda acreditavam no amor. Entre as pessoas que jogaram mensagens ao bispo estava uma jovem cega, Artérias, filha do carcereiro, a qual conseguiu a permissão do pai para visitar Valentim. Os dois acabaram apaixonando-se e, milagrosamente, a jovem recuperou a visão. O bispo chegou a escrever uma carta de amor para a jovem com a seguinte assinatura: “de seu Valentim”, expressão ainda hoje utilizada. Valentim foi decapitado em 14 de fevereiro de 270.'
Ou seja, no dia de S. Valentim celebra-se a data da decapitação de um bispo. Que bonito!
É dos piores dias do ano, porque era como se houvesse o dia dos magros, para que todos os gordos se ficassem a sentir mal, e tivessem de ir fazer dieta para no próximo ano já poderem celebrar.
É um dia para ficar em casa a chorar o dia todo num canto, ou a ver filmes de terror para dissipar a vontade de sair de casa para ir cometer suicídio.
Vou isolar-me em casa, e não vou falar com ninguém. Se vir um coração que seja, acho que vomito.
Nicas
quarta-feira, fevereiro 03, 2016
E saltitam
Encontro-me neste momento num bar da praia aqui no Baleal. Se estivesse aqui algum dos meus colegas de Gent, iam achar que isto é o Brasil. Só tenho uma camisola fininha vestida, casaco há muito atirado para o lado. Se a praia não estivesse outra coisa que deserta, com esta luz, mas sem vento, podia dizer-se que eram 19 horas de uma tarde de verão. Mas não, são 16h30, de um Inverno, que não é Inverno, não é Outuno, não é Primavera, nem é nada.
Estou com o pc a ouvir Justin Bieber (admito, vá, esta treta cola na cabeça, como super-cola 3 nos dedos), a tentar escrever a minha tese. Mas (há sempre um 'mas') um grupo senhoras com bebés resolveu rodear-me por todos os flancos, enquanto comem gelados e se riem com as selváticas criaturas a saltitar. Nada contra saltitar! É uma coisa das crianças, as crianças saltitam, as senhoras é que não deviam saltitar também!
Pode colocar-se a questão de eu ser uma parvalhona sem coração, aqui a falar mal de senhoras que trazem crianças para vir comer gelado, provavelmente é isso...
segunda-feira, fevereiro 01, 2016
Neurótica
Durante estes dias em que só tenho de escrever a tese e estou fechada em casa (tenho de me deixar de só escrever em casa), sinto o peso todo do Mundo em cima de mim.
A única coisa que separa a minha neura da minha paz de espírito são papeis. Papeis que têm as datas mal postas... Só isso. Todos os dias vou a mail, e todos os dias durmo mal, porque ninguém me responde, ninguém me manda os documentos, e já lá quase um mês nesta espera.
Ora porque é que eu sinto o peso do Mundo?
Porque vejo as notícias todos os dias, vejo a desgraça de que vai por isso Mundo fora, e a minha vida é isto... Esperar por e-mails, e dormir mal por ter de esperar por mails. Não ajudo ninguém, não me ajudo a mim própria, nem contribuo nada para este Mundo.
Nicas
quarta-feira, janeiro 20, 2016
Eu nunca estou bem
Eu nunca estou bem. Não sei se é da minha geração ou da minha cabeça. Se for da minha geração significa que as outras pessoas da minha idade também nunca estão bem. Estão? Não sei. Depende da pessoa.
Eu conheço pessoas para quem tudo está mal. Fazem de tudo uma brutal generalização (eu também generalizo, muito). Mas conheço pessoas que pensam que podia estar pior, ou que nem está assim tão mau. Vamos ver no que dá.
Ainda não fez um mês desde que vim da Bélgica, mas mesmo assim, não tenho pensado em mais nada do que em ir embora.
A minha irmã diz que eu preciso de um psiquiatra.
Se calhar sim. É da minha cabeça.
Por cada fase da minha vida, eu passou mais ansiedade a pensar na fase seguinte, do que na fase que esteja mesmo viver. Como se tivesse aterrorizada pelo futuro, mas mortinha por lá chegar. É muita falta de carpe diem. Por isso é que nunca estou bem, preciso de um pouco de hakuna matata.
Mas e daí? Preciso de despreocupação, o tal detachment, aquele sentimento de que não se deixa nada para trás que se possa eventualmente perder. Essa parte não está difícil...
Mas preciso de pensar, preciso de planear...
Nunca estou bem...
Nicas
domingo, outubro 25, 2015
quinta-feira, outubro 22, 2015
Kryptonite
ou
Meias Mudanças
Há coisas a que nos agarramos inconscientemente, sentimentos antigos do Passado que têm o poder de nos agarrar durante a noite, que povoam os nossos sonhos e os nossos pesadelos. Pessoas...
Fiz meias mudanças quando por alguns meses me desprendia, dizia 'Nunca mais!', queixava-me, vitimizava-me, largava... Mas depois voltava, e voltava o queixume, a vitimização... 'Ele é que volta!', mas eu deixava. Eu é que deixava as válvulas do coração meio-abertas num sopro, numa arritmia permanente de: 'E se não houver mais ninguém? E se for isto tudo a que tenho direito? A meias verdades, meios sentimentos, meio juntos, meio separados' para que ele pudesse voltar a entrar, e enfraquecer o miocárdio, numa cardiomiopatia dilatada sem força de contracção tanto aguentar cá dentro como para expelir cá para fora.
Mas há mudanças a que já não se deve a si mesmo, mas sim a todos os que estavam lá quando ele não estava. A todos os que viram lágrimas fossem elas no meio de uma festa da faculdade, no meio do Carrer Aribau em Barcelona, na A8 a caminho de Lisboa, no quarto a meio da noite... Que gostavam realmente, e que só queriam que divertisse, que deixasse ir, e que fosse feliz porque: Esse gajo é uma besta! Está a brincar contigo! Tu mereces melhor! Mereces alguém que goste mesmo de ti! Toda a gente merece! Que se deve também a todas pessoas que poderia ter tido, e que teriam gostado mesmo e tratado melhor. Porque depois deixam de ser erros, deixa-se de ser vítima para ser estúpida, e perde-se o direito de queixar, e um dia as pessoas que lá estavam deixam de estar.
Há mudanças que se devem mais aos outros, por gostarem de nós, e quererem que sejamos felizes.
Então se temos de sofrer os efeitos secundários da digoxina? E andar em estado intoxicado, com o orgulho ferido, por percebermos finalmente que não somos mais do que ninguém? Não sou a pessoa por quem alguém sente sentimentos tão fortes que um dia o vão fazer mudar. Não sou diferente de todas as pessoas que já saíram magoadas de histórias parecidas. Sou uma pessoa como as outras, e tenho direito às mesmas coisas, ao bom e ao mau. Sou temporária, fortuita, e finita. Não sou mais do que ninguém, e preciso de mudar.
Nicas
quarta-feira, outubro 21, 2015
“If you wait until you can do everything for everybody, instead of something for somebody, you’ll end up not doing nothing for nobody.”Nicas
Malcom Bane
Desilusão e desgosto
No dia 24 de Setembro eu fui a Bruxelas de propósito votar. Se haviam eleições em que tinha de votar eram estas.
Uma triste realidade a que cheguei com o passar dos anos, é que as pessoas são em geral muito estúpidas, e que os adultos não fazem muito mais ideia do que andam aqui a fazer que meras crianças, só que têm mais dinheiro. Pode parecer mau, mas é a minha maneira de olhar para a vida de há uns anos para cá. As pessoas são estúpidas, e eu própria consigo ser uma pessoa muito estúpida.
Muitas pessoas não fazem a mínima ideia no que votaram, não fazem ideia dos programas eleitorais, para elas isto de PSD/CDS - PS não passa de um Benfica-Sporting ou assim...
Muitas pessoas não fazem a mínima ideia no que votaram, não fazem ideia dos programas eleitorais, para elas isto de PSD/CDS - PS não passa de um Benfica-Sporting ou assim...
E o país não vai para bom. Temos muitos problemas, e que me afectam a mim directamente, porque sou uma jovem na recta final da Universidade. O desemprego nos jovens é devastador. Os que não estão desempregados ficam na sua maioria agarrados a empregos precários, ou a estágios do IEFP a ganhar misérias que nunca permitem que se tornem independentes, e deixem de depender dos pais, que muitas vezes também não o têm fácil para eles, quanto mais sustentar os filhos até aos 30 anos. É muito triste.
Mas se acham que eu acredito em partidos em que ninguém confiou para governar, e que têm uma ideia utópica do país e daquilo que pode e dever ser feito para o melhorar, para corrigir a situação, estão muito enganados. Eu não confio em BE, em PS e no caraças... Confio no PSD? Também não. Mas ao menos o homem não tirou um curso ao domingo, não foi preso, nem é amigo de tudo quanto é escumalha corrupta, nem parece capaz de tomar indevidamente o governo de um país que não o elegeu.
Se Costa formar governo, a desilusão e o desgosto pelo meu país irá ser ainda maior. Espero que não deixem que aquela escumalha de esquerda forme governo. Eles vão começar a gastar o dinheiro dos cofres do estado para fazer investimento público do qual não sabemos se teremos retorno, e vão fazer com que nos enterremos novamente e precisemos de ajuda externa, para nos tornarmos ainda mais escravos da Alemanha e de outros países que vão aproveitar para lucrar connosco, hipotecando o nosso Futuro ainda mais à incerteza e à miséria.
O jornal Charlie Hebdo veio elogiar a união de esquerda, que só se lembrou de se juntar depois das eleições:
Com o título “Em Portugal, a união da esquerda faz a força”, o autor do texto, Jean-Yves Camus, saúda com efeito a decisão de António Costa de negociar com comunistas e bloquistas que, por sua vez, são igualmente aplaudidos pelas suas “concessões ao realismo para salvarem o essencial: bater uma direita antissocial”.“Ao abandonarem de momento o seu programa de saída do euro, os aliados (de Costa) fizeram prova de realismo, mostrando, como Tsipras (chefe do Governo grego), que a esquerda antiliberal pode ser outra coisa que um protesto ou uma utopia”, escreve o articulista.
Mas será que ainda não perceberam que estas comparações com a Grécia são tudo menos boas! A ideia é sermos diferentes, é ultrapassar a crise, é fazer crescer a economia, pagar o que se deve, incentivar o investimento externo e criar emprego.
Vão fazer o quê? Dar computadores a toda a gente outra vez? Construir o TGV sem dinheiro? Construir mais autoestradas? Acho que estamos a precisar...
Nicas
Go-cart race
O tipo de Erasmus que estou a fazer agora, tendo em conta que trabalho muito e muitas horas, incluindo fins de semana e noites, faz com que não dê tanto para sair. Quando estava em Barcelona ainda saía bastante. Se não saí mais, foi porque não quis, ou porque não tinha dinheiro. Mas agora não saiu mesmo porque não posso, ou porque sinto muito cansaço.
No entanto, na segunda-feira, depois de finalmente sair do turno do fim-de-semana, dormir umas horas boas, e comer imensas torradas, quis ir a uma festa. A aventura parecia bastante simples. Ia haver um autocarro para nos levar a partir de um sítio perto aqui de casa, então lá fui eu de bicicleta. Aparquei a bicicleta, e esperei... Nada. Mas que raio? Tento apanhar net no telemóvel para começar perguntar à moça da organização: Méquié? Mas a fome falou mais alto...
Aqui na Bélgica um dos pratos típicos é, nada mais nada menos, que batatas fritas com maionese. Existem imensas 'fritures' por todo o lado onde se podem comprar uma variedade grande de fritos. Incluindo os hambúrgueres, que são panados de uma maneira que em vez de grelhados são fritos. Enfim, uma tristeza gastronómica, mas que mata fome. Então lá fui eu buscar batatas fritas com maionese 'take away'.
Esperei um bocado, meti conversa com pessoas para saber se elas sabiam de alguma coisa. Desisti, agarrei na bicicleta, lá fui fazer os 7km para a faculdade. Esta esperteza andante, ainda não arranjou luz da frente para a bicicleta, e a via para as bicicletas que vai até à faculdade, passa no meio do nada ao lado de uma autoestrada sem luzes. Há que dizer que me sentia bastante segura... Não.
Quando cheguei à faculdade estava lá imensa gente, e toda a gente parecia estar a divertir-se imenso. Tinha uma série de gente para encontrar lá dentro. Estava à entrada para pagar o bilhete... 'Sorry, we are sold out, we are not allowed to let more people in.'; 'Whaaaaaattt??'. Bem, entrei na faculdade, podia ser que houvesse uma maneira de entrar por dentro, mas fui barrada por uma segurança.
Desisti da festa. Mas estava a custar-me acreditar que tinha de ir para casa, e voltar a fazer o mesmo caminho de bicicleta sem pelo menos me ter divertido um bocadinho. Estava cansada, e não me apetecia muito ser chata, e investir em entrar na festa (algumas pessoas que conhecia disseram-me cá fora que se insistisse muito eles deixavam entrar eventualmente). Fui até à bicicleta. Saquei das batatas fritas e da maionese, arrapei com tudo... Fui para casa.
Nicas
terça-feira, outubro 20, 2015
Ramelas de mestrado
Aqui no departamento de Medicina Interna, trabalha um boss da cardiologia equina que escreveu uma série de capítulos para um dos livros de referência. No meu primeiro dia de day shift, um senhor do qual nunca tinha ouvido falar, andou à minha procura para me introduzir à clínica. Era ele mesmo.
Aqui eles fazem um teste que em Portugal nunca vi fazer, o 'exercise test'. É bastante simples. Fui ao repositório da faculdade e não vi lá nada sequer sobre cardiologia equina. Então alimentei a ideia de fazer a tese sobre isso. Andei à procura do senhor para depois perceber que ele tinha ido ao México receber um prémio. Na semana seguinte ia fazer night shift, e as chances de o encontrar iam ser muito escassas, mas não perdi a esperança!
Numa manhã quando estava toda ramelosa e mal cheirosa depois de sair do dormitório para ir para casa, encontrei-o a falar com a responsável do departamento, e fiquei ali a fazer de candelabro à espera que me dessem atenção. Foi então que 5 segundos depois de começar a falar com ele, percebi que ele era igual a mim, fala fala fala, troca-se todo, mas felizmente disse-me que sim.
Fartou-se de me dizer: Mas isto é mesmo muito simples, não tem grande coisa para falar. E eu só pensava: Caraças estou cheia de sono, como é que eu lhe explico que quanto mais simples melhor, que ninguém na minha faculdade falou nisso ainda... Abre os olhos vá...'I mean, why not? Nobody ever did it back at my faculty, and it can give an interesting discussion'... Uma cena fixe em inglês que ele me levar a sério vá... Chuta ai: 'jeopardise performance', deve chegar...
E fui para casa toda entusiasmada. Assim que cheguei mandei um mega mail à minha orientadora, mas ela não ficou nem de perto nem longe muito impressionada ou entusiasmada, bolas. Mas desejou: Bom trabalho.
Nicas
terça-feira, outubro 13, 2015
Night shift
O 'night shift' é o meu drama actual. Dá-me taquicardia, não gosto nada da ideia de trabalhar de noite, de ficar exausta, e de ficar a dormir na faculdade sem energia para voltar a casa antes do próximo turno. E pior, não gosto mesmo nada de ter de ficar lá metade do dia e a noite de sábado, e o dia inteiro e a noite de domingo. Por mais que tente aceitar a ideia de ser um sacrifício passageiro, a verdade é que me aflige bastante. O facto de que sempre que falo nisso, as pessoas olharem para a situação com um certo choque, também não ajuda.
A verdade é que o motivo de tal atrocidade, foi o facto dos alunos o preferirem. Sacrificaram o turno do tarde, e fundiram-no com o turno da noite, para terem uma semana livre. Mas eu ainda não decidi o que vou fazer com essa semana. Não faço a mínima ideia, e ter uma semana em que não sei o que vou fazer, num país que não é o meu, sabendo que toda a gente vai estar ocupada, não é assim tão apelativo quanto isso. Provavelmente, só vai dar para repor as tais horas de sono perdidas, a tratar cólicas noturnas, a trocar soros, a mudar ice packs, e a assistir a cirurgias matutinas.
As cirurgias até são giras, a não ser pelo facto dos cirurgiões serem geralmente pessoas com péssimo feitio assim que agarram no bisturi, e fazerem perguntas que a certa hora da noite já ninguém consegue responder, nem com duas coca-colas, dois cafés, e três redbull no sistema.
É claro que eu não me importo nada, e até gosto bastante, de caminhar pelos estábulos, e ver os cavalos. Mas estamos na Bélgica, e colocar pezinhos na rua às 6am não é propriamente uma tarefa agradável. O frio hoje era tanto, que eu já nem conseguia distinguir bem os cavalos, quanto mais ver se os soros estavam mesmo a correr ou não, ou ouvir se a bomba de soro estava a apitar.
Os meus colegas esta semana são fixes, e até divertidos. No entanto, calhei no grupo de um moço que matou um pónei (que ia morrer que qualquer maneira, mas enfim), ao abrir a porta onde passa o sistema de soro na bomba, e deixou que a lidocaína corresse toda para a jugular do pobrezito; e que desapareceu num turno de fim de semana para ir para os copos.
Isto tem tudo para correr bem...
Nicas
segunda-feira, outubro 12, 2015
What the...?
Quando estava a fazer Erasmus em Barcelona, umas boas semanas mais tarde apareceu na residência um rapaz canadiano com quem joguei voleibol no primeiro dia em que ele decidiu ir conhecer a malta. Naquele mesmo dia joguei também com uma rapariga belga que mais tarde vim a descobrir que era aqui de Gent, e foi a primeira vez que tomei conhecimento na primeira pessoa dos palavrões em francês... Ai, saudade.
A partir daquele dia, apenas estive com o rapaz com ele embriagado (eu também devia estar às vezes, mas o moço era uma exagero), excepto de uma vez, em que conseguimos ter uma conversa de gente decente, e foi suficiente para manter uma relação de simpatia.
No outro dia ele publicou uma frase de uma série de desenhos animados que me deixou a pensar. Fui pesquisar um pouco mais sobre a série, e ela tinha 9,2/10 no imdb, então comecei a ver... A série é a só a maior mixórdia que se pode imaginar. Nada faz sentido, mas depois tudo faz sentido de certa forma.
Esta não é a frase que ele publicou, mas sim a que me marcou mais.
Nicas (Rick and Morty: O maior 'wtf' que existe. Mas hei, 9,2/10 no imdb...)
sábado, outubro 10, 2015
Para a vida mudar
Se procurarmos um bocadinho por um bom filme (às vezes nem precisa de ser um filme assim tão bom) ou um bom livro (que também não tem de ser assim tão bom), podemos ler nas histórias, principalmente nos finais felizes, uma altura que uma determinada personagem decide mudar alguma coisa: uma atitude, uma perspectiva, uma maneira de pensar... qualquer coisa que muda o curso da sua vida, e as coisas começam a fazer sentido. No entanto, parece instantâneo.
Quando é que isso nos acontece?
A sério?! Quando é que eu vou olhar para mim e para minha vida, e ver que tudo faz sentido? Quando é que os meus amigos e a minha família vão olhar para mim e pensar: A Vanessa é uma pessoa com as ideias no sítio, e está num bom caminho. Eu pessoalmente olho para mim própria e penso que ando perdida, e às vezes demasiado focada em mim própria quando deveria valorizar os meus amigos, a minha família, e as coisas boas que acontecem na minha vida. Fico demasiado focada nos meus problemas, nos meus dramas, nas minha inseguranças, e presa a sentimentos antigos, passados da validade, que por algum motivo não pareço ter forças para deixar ir.
Onde está a linha que separa o momento em que estamos demasiado enterrados na nossa vida, quando nos deveríamos estar a concentrar mais nos outros e nas pessoas que são importantes para nós?
Quantos joules de energia são necessários para mudar uma vida?
Nicas
Assinar:
Postagens (Atom)
Tecnologia do Blogger.






