quarta-feira, março 16, 2016

Tidal

Para quem ainda não percebeu, existe uma espécie de guerra oculta no mundo da música. Esta guerra fria começou quando se começou a usar a música não como forma de passar mensagem, mas sim para gerar activismo. O activismo é bom: Silence is a luxury of Privilege. Acho muito importante movimentos como o #BackLivesMatter, #AllLivesMatter! 

O Feminismo também. É necessário dar à mulher poder sobre o seu corpo, a sua sexualidade, a sua educação etc... Como nos podemos considerar uma civilização 'avançada', quando ainda temos dentro de nós barreiras, que tornam as nossas vidas e das outras pessoas mais difícil? Que Mundo fantástico seria o nosso, se deixássemos de nos preocupar tanto com a vida dos outros, e nos preocupássemos mais com a nossa. E melhor ainda, se preocupássemos sim com os outros, mas apenas para os ajudar.

Eu sempre gostei muito da Beyoncé, mas gosto muito menos hoje em dia. As músicas dela deixam-me desconfortável, como se não tivessem sido feitas para mim. Ou para pessoas como eu... Mas não há nada de mal em contar o passado comum das pessoas da comunidade dela. Acho necessário! E ela tem o direito de o fazer como ela bem entende. Se for chocar que seja! Andou-se muito tempo a lutar contra a censura para alguma coisa.

No entanto, é preciso ter em conta que para atingirmos (a utopia da) igualdade, temos de começar a perdoar, aceitar as diferenças, e deixar que elas deixem de fazer sentido. O racismo vai continuar a existir sempre que existirem complexos de superioridade, mas também de inferioridade. Só vai deixar de existir racismo, quando deixar de fazer sentido distinguir as pessoas pela cor de pele. Infelizmente, acho que vai ser uma luta de muitas gerações. Mas que seja uma luta, uma guerra até, e que se ganhe.

Não ajuda o Jay Z (com esta polémica toda) ter tirado os álbuns do Spotify e do iTunes para deixar só no Tidal. Esta parte sim irrita-me. Mas neste sentido também me chateia a Taylor Swift (a Beyoncé todavia, ainda tem a discografia no Spotify). Eu sei que não vou subscrever o Tidal (e não vou comprar o teu álbum de propósito Taylor, só para matar de vez em quando o guilty pleasure, podes tirar o cavalinho da chuva). Já tenho Spotify Premium. Não é que o Jay Z me faça falta. porque não faz. O Kanye West que estava segundo se diz, super endividado, também só publicou o álbum novo no Tidal. 

Hala Download Ilegal! Uh Uh! 

Isto tudo para dizer, que criar uma plataforma exclusiva é uma parvoíce. E o HipHop não é o único estilo de música produzido por pessoas de raça negra. Mais! Há muita gente de raça negra a produzir música bastante melhor. E não estou a falar só de Jazz, ou do Sam Cooke, estou a falar dos TV On The Radio, por exemplo. A esses eu pagava o álbum, o concerto, uma t-shirt e a caneca, só pela Wolf Like Me. Os TV On The Radio são uma banda de Rock Alternativo ou Indie Rock, e segundo a Wikipédia, o Rock Alternativo...
Consiste de vários subgêneros oriundos da cena musical independente como grunge e britpop, que estão relacionados por sua influência em diversas escalas com o punk rock (...)
Vamos acusá-lo que de apropriação cultural? Deixem de ser ridículos. Deixem o Macklemore e o Ryan Lewis produzirem Hip Hop, deixem lá o Ben Haggarty 'repar' à vontade. Deixem o Deadpool ter uma música que seja de Rap, e o Beyoncé vestir-se de Aishwarya Rai para o videoclip dos Coldplay.  Eu deixo a Jennifer Hudson cantar fado se quiser, porque era capaz de ficar mesmo muito bom!

Deixem a música ser música. Deixem-na fluir, passar a mensagem, e ser vivida por toda a gente. Deixem-na estar disponível para todos, e apreciada por quem quiser. 

Nicas

terça-feira, março 15, 2016

Odeio Football

Depois de estar desde as 19h45 a ver o Atlético de Madrid vs PSV Eindhoven até agora, decidi deixar as apostas desportivas. Neste momento, odeio Football, e odeio os palermas dos benfiquistas do chat, que decidiram começar a falar português e mal do Sporting. Para mim, acabou...

Nicas

'Wild'


Este sim vale a pena. Esqueçam lá a Taylor Swift, a Reese Winterspoon é que sabe o que é be out of the woods.

Nicas

sábado, março 12, 2016

A senhora doida

Hoje uma senhora começou a contar uma história da sua vida. Começou com o lendário Ai tu nem sabes o que me aconteceu ontem...! e continuou com o ainda mais mítico Vê lá tu que...! Ora bem, contou que tinha encontrado uma carteira na rua, e quando a abriu Jesus Senhor! estava cheia de notas de 20€, mas que não ficassem as pessoas já Todas histéricas! que ela não tinha fica com nada, nadinha! Entretanto, estava lá o cartão de cidadão, e ela já sabia de quem era. Entrou no café, e encontrou a indivíduo a jogar às cartas. Aquilo cheio de homens! Jesus, tantos homens! Mas ela não faz mai'nada, chega ao pé do senhor, e diz: Ainda bem que te encontro, que estava mesmo a ver se me pagavas um café! e ele olhou para ela, e pareceu mesmo que pensava que a mulher estava mas era doida. No entanto diz Vai lá pedir que eu depois pago então... Mas ela disse Ai não! Dá-me antes 1€! Ela queria que ele sacasse da carteira. A que ele não tinha. Para dar início, à manobra dramática. Mas ele insistia que não lhe dava Euro nenhum! Vai lá pedir que depois pago! Como viu que não levava nada dali... Disse Ai olha, toma lá... E ele abriu os olhos muito abertos, muito abertos! E claro, Ah pronto, muito obrigado...

Nicas

sexta-feira, março 11, 2016

Desporto na Desportiva

Como já disse, tenho feito apostas desportivas. 

Boas notícias: Recuperei o investimento total, e já tenho uma espécie de fundo de maneio.

Más notícias: Não dá dinheiro para mandar cantar um cego, e dá-me cabo do coração.

As minhas duas ferramentas são, obviamente, a aplicação do Placard no telémovel e a da Eurosport (os jornalistas escrevem bem, sem serem chatos, e os scores estão bem atualizados). No entanto, eu não presto nada para estas coisas. Os meus instintos não são maus, mas são mal focados. Se faço apostas com odds baixas, fico com medo de 'surpresas', e se faço apostas com odds altas, fico com medo de estar a ser estúpida. Claro que toda a gente se deve sentir um pouco assim, mas eu tenho tão pouco dinheiro, que deixo de conseguir ver o desporto na desportiva. No outro dia, até o Fenerbahçe ganhar ao Sp Braga, estava com um mau humor do pior, e só consegui ficar contente mesmo com o Liverpool. Isto não é maneira de viver.

Por outro lado, estou contente por ter começado a fazê-lo, é um passatempo e como já disse, não estou a ter prejuízo e já tenho fundo de maneio. Há bastante tempo não tinha nada que desse adrenalina, a minha vida tem sido um aborrecimento... uma espera. É um sentimento que ninguém entende. Mas nem por isso é fácil de entender. Por vezes, até me sinto mal comigo própria. Tenho tantos motivos para estar contente. Tenho tudo despachado, e certinho... Quer dizer, nem tudo, mas o que depende de mim sim, e agora devia estar a usufruir de umas férias...

No entanto, estou a sentir-me perdida e sem próposito. Estou a colocar demasiada pressão em mim própria, e a levar as coisas demasiado a sério. Estou com medo do que os meus pais pensam de mim, quando no fundo eles nem devem estar muito preocupados... Porque não há nada com que me preocupar. 

Conclusão: Snap out of it!

Nicas

quinta-feira, março 10, 2016

Placard

Comecei a fazer apostas desportivas, mas aposto muito pouco, aposto 1€, e faço combinações. No fim, se tiver muita sorte, consigo recuperar a aposta, e fazer uns trocos para apostar outra vez. Já me mentalizei que nunca vou apostar no Sporting. Juntar o coração ao jogo é muito mal pensado...

Ontem decidi apostar no Benfica a ganhar ao Zenit. Mas não queria pôr a ganhar o jogo todo. Sabia que era mais provável estar a ganhar na primeira parte, com o Mitrocoiso a marcar um golo ali no início. Resultado, só marcaram na segunda parte. Depois não querem que eu não simpatize com eles. Uma pessoa deposita-lhes confiança, e é assim que agradecem! Claro que melhor teria sido se eu os tivesse posto a ganhar no Tempo Regulamentar... Mas aí, olhem não queriam eles mais nada já agora! 

Mas pronto, muitos parabéns para eles, conseguiram pôr 3 equipas portuguesas na Champions. Pode ser que para o ano, o Jorge Jesus deixe de investir só no Campeonato, para depois acabar em 2º, e não ganhar mais nada. É que nem a Taça de Portugal... Os sportinguistas gostam tanto da Taça...

Nicas

domingo, março 06, 2016


segunda-feira, fevereiro 22, 2016

Vi 2 filmes hoje

Hoje vi dois filmes. Porque é domingo, e não porque sou uma falhada anti-social que não sai de casa. Embora também não seja totalmente mentira nos dias que correm.

O primeiro filme que vi foi The Man from U.N.C.L.E. (2015), que recomendo porque é mesmo filme de Guy Ritchie, não engana ninguém. Quem conhece os do 'Sherlock Holmes' reconhece bem. Está muito giro, porque faz serviço público. Um filme com, não só um ator principal muito jeitoso, mas sim dois, é de louvar e recomendar (Henry Canvill e Armie Hammer). Mas a Alicia Vikander também aparece eu gosto muito dela (The Danish Girl...).

Mas o segundo filme que vi, esse sim, é das comédias românticas mais engraçadas que já vi: Trainwrech (2015). Pronto, a Amy Shumer é uma tonta no filme, e uma daquelas bem exageradas. Contudo, subtraindo tudo o que é necessário para fazer uma comédia norte-americana, a história está gira. É mesmo assim que acontece, ou quase sempre. 

Muitas mulheres passam a vida a falar mal dos homens. Julgam o todo pela parte. As pessoas nunca deixam de ser pessoas, e no fim todos queremos e procuramos as mesmas coisas. Claro que existem muitos homens que não prestam, mas se pensarmos bem, as mulheres que escolheram esses homens, escolheram os que têm mais opções, e as viram exatamente como tal: uma opção. Podem ter mais opções porque têm uma lata brutal, um carisma enorme (ou só um paleio excelente), uns abdominais gigantes, são lindos de morrer... Mas também o podem ter mulheres, e as pessoas às vezes não correspondem, têm defeitos, problemas, e daddy issues... Magoam-se umas às outras. Sempre. Todos os dias. E é muito triste, mas é mesmo assim...

Temos de admitir que não é com esses homens que a maioria das mulheres acaba por casar. Casam (ou assentam) sem motivo aparente por alguém porque sentem algo que nem conseguem explicar, e que mais ninguém vê nem entende. E quase nunca era o galã do secundário. No fundo o coração quase não tem olhos. Pode ter. Pode até resultar. Mas no final das contas não é o mais importante.

Eu acho que toda a gente sabe isto. Mas pronto, achei que devia escrever.


Nicas

domingo, fevereiro 21, 2016

A crise dos 20

Os 20s são um intervalo de idades muito estranho. É-se adulto, mas não tanto nem mais ou menos. Temos energia, e queremos fazer tudo, mas geralmente não temos dinheiro. Temos visão mas somos desvalorizados, porque muito de nós caem facilmente na futilidade e na superficialidade. É um sacrifício muito grande fugir das massas, porque sabemos que é onde toda a gente está, e não queremos nem por nada estar sozinhos, porque não sabemos o bem que nos faz, mas conhecemos o mal.

Eu sou uma 'vinte e qualquer coisa' especialmente insatisfeita, e com o tempo tornei-me irritável, impaciente e fria. 

Há uma altura muito estranha na vida em que percebemos que é na família que está o nosso melhor refúgio. Por vezes os melhores amigos tornam-se família. Mas noutras altura encontram outros caminhos, seguem diferentes caminhos, já não se identificam connosco e sentem-se melhor com outras pessoas. Mas as pessoas na nossa família nunca se vão embora inteiramente. Somos todos diferentes, mas todos lutamos pela felicidade uns dos outros. Os pais são um tesouro. São o maior tesouro que temos. E em certas alturas são as únicas pessoas que estão lá para nós, quando mais ninguém tem paciência para estar. 

Mas o 20s não são para passar com os pais e com família. Os 20s são quando temos de trabalhar para nos tornarmos pessoas interessantes. 




E tornar-se interessante dá uma carga de trabalho...

Nicas

quarta-feira, fevereiro 17, 2016

'Eu também tenho sonhos'

Ontem enquanto discutia com a minha mãe veio à tona o quanto esta época tem sido má para o meus pais, ela disse-me: 'Eu também tenho sonhos! O que é que eu faço com eles?'. Para que eu pudesse concretizar os meus, os meus pais não puderam concretizar os deles. Eu nunca me defini a mim própria de ingrata. Ingratidão nunca foi nada que sentisse em relação a nada. Mas o que ela disse, caí-me que nem uma bomba. 

No outro dia um artigo do Público pareceu-me bastante convidativo a ler, mas não o li. Já sabia o que dizia. Falava de como a sociedade hoje em dia cultiva cada vez mais o 'Eu' em detrimento do 'Nós'. Que vivemos obcecados com o nosso reflexo, com os 'likes' do Facebook, e os corações do Intragram. Que somos cada vez mais egoístas. Que o sucesso individual é mais importante do que o colectivo. Talvez. Mas as pessoas que tiraram essas conclusões provavelmente basearam-se na quantidade de pessoas que povoa descontroladamente as redes sociais. E está enganada. Pessoas egocêntricas sempre existiram. Têm é mais recursos agora. Mas não são a maioria.

Por menor que seja a fé que tenhamos na humanidade, temos de dar a César o que é de César. É típico da juventude andar-se perdido, é típico ser-se alvo fácil de tudo o que é novo (aka tecnologias), e típico também quer que gostem de nós (aka ser fixe). A juventude sempre foi o problema, sempre esteve mal, sempre foi de mal a pior.

Não é justo comparar a atitude da minha mãe com a minha. É normalmente que eu nunca tenha pensado nos sonhos da minha mãe. Ela é uma senhora adulta. É a minha mãe. Há muito pouco que eu possa fazer em relação aos seus sonhos.

É mais fácil ver a vida como a 'timeline' que ela é. Eu acredito que daqui a uns anos quando esta geração de 'gente egoísta' tiver filhos, vai ser qualquer coisa parecida com a minha mãe, capazes de sacrificar os seus sonhos pela educação superior dos filhos. O bem colectivo da família. Porque é que o que faz parte. É o que faz sentido. Duvido que irão ser malta quarentona a contar 'likes' no Facebook. 

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terça-feira, fevereiro 16, 2016

Desestigmatizar

Hoje tive uma troca de pontos de vista com a minha irmã sobre a eutanásia. De um lado uma enfermeira de cuidados intensivos, e do outro uma veterinária 'wannabe'. Tinha tudo para correr mal. 

Os veterinários consideram mais 'humano' aliviar o sofrimento, e deixar que os animais partam deste mundo com dignidade, quando já não há nada que se possa fazer. Mas contudo, quando falamos realmente de 'humanos' existem pessoas que não consideram mais 'humano' deixar que as pessoas partam deste mundo com a mesma dignidade e ausência de sofrimento. Fala-se da evolução da Medicina, dos cuidados paliativos, e dos testamentos vitais. Okay, e daí?

Para mim o que faz sentido é que todas a pessoas sejam capazes de atingir a felicidade, qualquer que seja a definição que têm de 'felicidade', respeitando a sua liberdade, e claro a dos outros. É o tal 'dizer': A minha liberdade acaba quando começa a tua'. 

Não faz sentido para mim que um grupo de pessoas em posição privilegiada possam opinar sobre questões que não entendem, e que concernem a outras pessoas. É como o casamento e a adopção por casais homossexuais: Quem raio sou eu para opinar sobre o que um grupo de pessoas do qual eu não faço parte pode ou não fazer com as suas vidas? E não me venham com a conversa do superior interesse da criança... Perguntem-lhe: Olha, achas estas pessoas simpáticas, achas que vais gostar de viver com elas?. Ah e tal, depois são gozadas na escolas: Eu também fui muito gozada na escola, e os meus pais são heterossexuais. Faz confusão? Também há muita coisa que me faz confusão.

Isto para dizer que se alguém acha que sua vida já não faz sentido, porque a sua condição de saúde não permite que viva a sua vida em pleno, e está em sofrimento, não devia haver ninguém que pudesse tirar o direito à pessoa de morrer com a dignidade que quer. Claro que não se pode tirar a nenhum profissional de saúde a opção de fazer objeção de consciência, mas é só mais uma escolha que se dá, e isto não devia fazer confusão a ninguém.

Nicas


segunda-feira, fevereiro 15, 2016

Dias que aleijam Part. II

Ontem foi então o 'pior dia do ano'. Não foi assim tão mau. Uma coisa interessante (e assustadora) acerca do Facebook, é que ele sabe tudo. A maior parte dos artigos e das publicações que surgem seguem um padrão. Por isso, coincidência ou não, não me apareceram coisas muito lamechas no News Feed. A verdade é que naquela altura em particular, eu nem sequer estava muito preocupada, ou sequer ressabiada como estava no dia em que escrevi o outro post. O Sporting tinha passado para o 1º lugar do campeonato, e aquele rasgo de alegria abriu-me o espiríto. Chamemos-lhes prioridades.

A minha veia curiosa já me fez por várias vezes ir à procura de estudos e explicações para o Amor romântico. O que é isso? Porque (me) nos afeta tanto? Nos traz tanta alegria, mas tanta tristeza? O TED é um excelente 'sítio' para procurar formas inspiradoras de olhar para os assuntos. Informação é poder, e é a melhor ferramenta para entendermos as questões e sabermos pensar sobre elas.

Não existe qualquer tipo de consenso científico em relação ao amor, e o porquê de o sentirmos. Os mecanismos fisiológicos estão mais ou menos bem conhecidos, e até existem alguns estudos que explicam porque é que algumas pessoas demoram mais tempo do que outras a ultrapassar alguns desgostos amorosos. Esta última é bastante interessante, e está relacionada com a forma como a pessoa se vê a si própria, ou seja, pessoas que acreditam numa visão não estática e dinâmica da sua própria personalidade, são capazes de ultrapassar desgosto mais facilmente. Mas de resto, há pouca coisa, e são muito vagas. Testes com ressonância magnética...

Quando não há consenso científico objectivo sobre as coisas, nas mãos de quem é que ficam os assuntos? Dos filósofos... E eu não sei falar de Filosofia. Contudo desde Platão: 'Love makes us whole, again', (faz lembrar aquela música: 'Love, love will tears us apart, again' dos Joy Division, se calhar foi daí) passando por Buddah: 'Love is a misleading affliction', (um impedimento de atingir o Nirvana) até chegar a Beauvoir (grande senhora): 'Love let us reach beyond ourselves', muitas são as teorias sobre o que é, e para eu serve o Amor romântico.

Gostei muito da Simone de Beauvoir porque dizia: 'The problem with tradicional love is that it can be so captivating, that we are tempted to make it our only reason for being. Yet dependence on another to justify our existence easily leads to boredom and power games.', então dizia que vez disto: 'Lovers should support each other into discovering themselves, reaching beyond themselves, and enriching their lives and the world together.'

Afinal de contas, e segundo Brigid Delaney, podem haver muitas razões para se estar sozinho. Não significa que se seja um falhado. Pode simplesmente ainda 'não ter acontecido'.
Eu gosto de pensar que me encaixo em:
'Or you are single because love hurts too much and you are walking around pained by wounds that nobody can see – and that’s OK as well. Be single for a while, my friend, or maybe forever.' 

Nicas

quarta-feira, fevereiro 10, 2016

Dias que aleijam

Está a chegar um dos piores dia do ano, o dia dos namorados ou dia de S. Valentim.
Se formos à Wikipedia, podemos ler:
'O imperador Cláudio II, durante seu governo, proibiu a realização de casamentos em seu reino, com o objetivo de formar um grande e poderoso exército. Cláudio acreditava que os jovens, se não tivessem família, iam alistar-se com maior facilidade. No entanto, um bispo romano continuou a celebrar casamentos, mesmo com a proibição do imperador. Seu nome era Valentim e as cerimonias eram realizadas em segredo. A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens jogavam flores e bilhetes dizendo que os jovens ainda acreditavam no amor. Entre as pessoas que jogaram mensagens ao bispo estava uma jovem cega, Artérias, filha do carcereiro, a qual conseguiu a permissão do pai para visitar Valentim. Os dois acabaram apaixonando-se e, milagrosamente, a jovem recuperou a visão. O bispo chegou a escrever uma carta de amor para a jovem com a seguinte assinatura: “de seu Valentim”, expressão ainda hoje utilizada. Valentim foi decapitado em 14 de fevereiro de 270.'

Ou seja, no dia de S. Valentim celebra-se a data da decapitação de um bispo. Que bonito!
É dos piores dias do ano, porque era como se houvesse o dia dos magros, para que todos os gordos se ficassem a sentir mal, e tivessem de ir fazer dieta para no próximo ano já poderem celebrar. 
É um dia para ficar em casa a chorar o dia todo num canto, ou a ver filmes de terror para dissipar a vontade de sair de casa para ir cometer suicídio. 
Vou isolar-me em casa, e não vou falar com ninguém. Se vir um coração que seja, acho que vomito.

Nicas

quarta-feira, fevereiro 03, 2016

E saltitam

Encontro-me neste momento num bar da praia aqui no Baleal. Se estivesse aqui algum dos meus colegas de Gent, iam achar que isto é o Brasil. Só tenho uma camisola fininha vestida, casaco há muito atirado para o lado. Se a praia não estivesse outra coisa que deserta, com esta luz, mas sem vento, podia dizer-se que eram 19 horas de uma tarde de verão. Mas não, são 16h30, de um Inverno, que não é Inverno, não é Outuno, não é Primavera, nem é nada. 
Estou com o pc a ouvir Justin Bieber (admito, vá, esta treta cola na cabeça, como super-cola 3 nos dedos), a tentar escrever a minha tese. Mas (há sempre um 'mas') um grupo senhoras com bebés resolveu rodear-me por todos os flancos, enquanto comem gelados e se riem com as selváticas criaturas a saltitar. Nada contra saltitar! É uma coisa das crianças, as crianças saltitam, as senhoras é que não deviam saltitar também! 
Pode colocar-se a questão de eu ser uma parvalhona sem coração, aqui a falar mal de senhoras que trazem crianças para vir comer gelado, provavelmente é isso...

Nicas

segunda-feira, fevereiro 01, 2016

Neurótica

Durante estes dias em que só tenho de escrever a tese e estou fechada em casa (tenho de me deixar de só escrever em casa), sinto o peso todo do Mundo em cima de mim.
A única coisa que separa a minha neura da minha paz de espírito são papeis. Papeis que têm as datas mal postas... Só isso. Todos os dias vou a mail, e todos os dias durmo mal, porque ninguém me responde, ninguém me manda os documentos, e já lá quase um mês nesta espera. 
Ora porque é que eu sinto o peso do Mundo?
Porque vejo as notícias todos os dias, vejo a desgraça de que vai por isso Mundo fora, e a minha vida é isto... Esperar por e-mails, e dormir mal por ter de esperar por mails. Não ajudo ninguém, não me ajudo a mim própria, nem contribuo nada para este Mundo.

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quarta-feira, janeiro 20, 2016

Eu nunca estou bem

Eu nunca estou bem. Não sei se é da minha geração ou da minha cabeça. Se for da minha geração significa que as outras pessoas da minha idade também nunca estão bem. Estão? Não sei. Depende da pessoa.
Eu conheço pessoas para quem tudo está mal. Fazem de tudo uma brutal generalização (eu também generalizo, muito). Mas conheço pessoas que pensam que podia estar pior, ou que nem está assim tão mau. Vamos ver no que dá.
Ainda não fez um mês desde que vim da Bélgica, mas mesmo assim, não tenho pensado em mais nada do que em ir embora.
A minha irmã diz que eu preciso de um psiquiatra.
Se calhar sim. É da minha cabeça.
Por cada fase da minha vida, eu passou mais ansiedade a pensar na fase seguinte, do que na fase que esteja mesmo viver. Como se tivesse aterrorizada pelo futuro, mas mortinha por lá chegar. É muita falta de carpe diem. Por isso é que nunca estou bem, preciso de um pouco de hakuna matata.
Mas e daí? Preciso de despreocupação, o tal detachment, aquele sentimento de que não se deixa nada para trás que se possa eventualmente perder. Essa parte não está difícil...
Mas preciso de pensar, preciso de planear...
Nunca estou bem...

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domingo, outubro 25, 2015



Mais orgulho ainda...
Hoje teria sido um dia feliz para estar Portugal.

Nicas

Quero chorar um bocadinho de orgulho...


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quinta-feira, outubro 22, 2015

Kryptonite

ou

Meias Mudanças


Há coisas a que nos agarramos inconscientemente, sentimentos antigos do Passado que têm o poder de nos agarrar durante a noite, que povoam os nossos sonhos e os nossos pesadelos. Pessoas...

Fiz meias mudanças quando por alguns meses me desprendia, dizia 'Nunca mais!', queixava-me, vitimizava-me, largava... Mas depois voltava, e voltava o queixume, a vitimização... 'Ele é que volta!', mas eu deixava. Eu é que deixava as válvulas do coração meio-abertas num sopro, numa arritmia permanente de: 'E se não houver mais ninguém? E se for isto tudo a que tenho direito? A meias verdades, meios sentimentos, meio juntos, meio separados' para que ele pudesse voltar a entrar, e enfraquecer o miocárdio, numa cardiomiopatia dilatada sem força de contracção tanto aguentar cá dentro como para expelir cá para fora.

Mas há mudanças a que já não se deve a si mesmo, mas sim a todos os que estavam lá quando ele não estava. A todos os que viram lágrimas fossem elas no meio de uma festa da faculdade, no meio do Carrer Aribau em Barcelona, na A8 a caminho de Lisboa, no quarto a meio da noite... Que gostavam realmente, e que só queriam que divertisse, que deixasse ir, e que fosse feliz porque: Esse gajo é uma besta! Está a brincar contigo! Tu mereces melhor! Mereces alguém que goste mesmo de ti! Toda a gente merece! Que se deve também a todas pessoas que poderia ter tido, e que teriam gostado mesmo e tratado melhor. Porque depois deixam de ser erros, deixa-se de ser vítima para ser estúpida, e perde-se o direito de queixar, e um dia as pessoas que lá estavam deixam de estar.

Há mudanças que se devem mais aos outros, por gostarem de nós, e quererem que sejamos felizes.

Então se temos de sofrer os efeitos secundários da digoxina? E andar em estado intoxicado, com o orgulho ferido, por percebermos finalmente que não somos mais do que ninguém? Não sou a pessoa por quem alguém sente sentimentos tão fortes que um dia o vão fazer mudar. Não sou diferente de todas as pessoas que já saíram magoadas de histórias parecidas. Sou uma pessoa como as outras, e tenho direito às mesmas coisas, ao bom e ao mau. Sou temporária, fortuita, e finita. Não sou mais do que ninguém, e preciso de mudar.

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quarta-feira, outubro 21, 2015

“If you wait until you can do everything for everybody, instead of something for somebody, you’ll end up not doing nothing for nobody.”  
Malcom Bane
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Desilusão e desgosto

No dia 24 de Setembro eu fui a Bruxelas de propósito votar. Se haviam eleições em que tinha de votar eram estas. 

Uma triste realidade a que cheguei com o passar dos anos, é que as pessoas são em geral muito estúpidas, e que os adultos não fazem muito mais ideia do que andam aqui a fazer que meras crianças, só que têm mais dinheiro. Pode parecer mau, mas é a minha maneira de olhar para a vida de há uns anos para cá. As pessoas são estúpidas, e eu própria consigo ser uma pessoa muito estúpida.

Muitas pessoas não fazem a mínima ideia no que votaram, não fazem ideia dos programas eleitorais, para elas isto de PSD/CDS - PS não passa de um Benfica-Sporting ou assim...

E o país não vai para bom. Temos muitos problemas, e que me afectam a mim directamente, porque sou uma jovem na recta final da Universidade. O desemprego nos jovens é devastador. Os que não estão desempregados ficam na sua maioria agarrados a empregos precários, ou a estágios do IEFP a ganhar misérias que nunca permitem que se tornem independentes, e deixem de depender dos pais, que muitas vezes também não o têm fácil para eles, quanto mais sustentar os filhos até aos 30 anos. É muito triste.

Mas se acham que eu acredito em partidos em que ninguém confiou para governar, e que têm uma ideia utópica do país e daquilo que pode e dever ser feito para o melhorar, para corrigir a situação, estão muito enganados. Eu não confio em BE, em PS e no caraças... Confio no PSD? Também não. Mas ao menos o homem não tirou um curso ao domingo, não foi preso, nem é amigo de tudo quanto é escumalha corrupta, nem parece capaz de tomar indevidamente o governo de um país que não o elegeu.

Se Costa formar governo, a desilusão e o desgosto pelo meu país irá ser ainda maior. Espero que não deixem que aquela escumalha de esquerda forme governo. Eles vão começar a gastar o dinheiro dos cofres do estado para fazer investimento público do qual não sabemos se teremos retorno, e vão fazer com que nos enterremos novamente e precisemos de ajuda externa, para nos tornarmos ainda mais escravos da Alemanha e de outros países que vão aproveitar para lucrar connosco, hipotecando o nosso Futuro ainda mais à incerteza e à miséria.

O jornal Charlie Hebdo veio elogiar a união de esquerda, que só se lembrou de se juntar depois das eleições: 

Com o título “Em Portugal, a união da esquerda faz a força”, o autor do texto, Jean-Yves Camus, saúda com efeito a decisão de António Costa de negociar com comunistas e bloquistas que, por sua vez, são igualmente aplaudidos pelas suas “concessões ao realismo para salvarem o essencial: bater uma direita antissocial”. 
“Ao abandonarem de momento o seu programa de saída do euro, os aliados (de Costa) fizeram prova de realismo, mostrando, como Tsipras (chefe do Governo grego), que a esquerda antiliberal pode ser outra coisa que um protesto ou uma utopia”, escreve o articulista.
Mas será que ainda não perceberam que estas comparações com a Grécia são tudo menos boas! A ideia é sermos diferentes, é ultrapassar a crise, é fazer crescer a economia, pagar o que se deve, incentivar o investimento externo e criar emprego.

Vão fazer o quê? Dar computadores a toda a gente outra vez? Construir o TGV sem dinheiro? Construir mais autoestradas? Acho que estamos a precisar...



Nicas

Go-cart race

O tipo de Erasmus que estou a fazer agora, tendo em conta que trabalho muito e muitas horas, incluindo fins de semana e noites, faz com que não dê tanto para sair. Quando estava em Barcelona ainda saía bastante. Se não saí mais, foi porque não quis, ou porque não tinha dinheiro. Mas agora não saiu mesmo porque não posso, ou porque sinto muito cansaço.

No entanto, na segunda-feira, depois de finalmente sair do turno do fim-de-semana, dormir umas horas boas, e comer imensas torradas, quis ir a uma festa. A aventura parecia bastante simples. Ia haver um autocarro para nos levar a partir de um sítio perto aqui de casa, então lá fui eu de bicicleta. Aparquei a bicicleta, e esperei... Nada. Mas que raio? Tento apanhar net no telemóvel para começar perguntar à moça da organização: Méquié? Mas a fome falou mais alto...

Aqui na Bélgica um dos pratos típicos é, nada mais nada menos, que batatas fritas com maionese. Existem imensas 'fritures' por todo o lado onde se podem comprar uma variedade grande de fritos. Incluindo os hambúrgueres, que são panados de uma maneira que em vez de grelhados são fritos. Enfim, uma tristeza gastronómica, mas que mata fome. Então lá fui eu buscar batatas fritas com maionese 'take away'.

Esperei um bocado, meti conversa com pessoas para saber se elas sabiam de alguma coisa. Desisti, agarrei na bicicleta, lá fui fazer os 7km para a faculdade. Esta esperteza andante, ainda não arranjou luz da frente para a bicicleta, e a via para as bicicletas que vai até à faculdade, passa no meio do nada ao lado de uma autoestrada sem luzes. Há que dizer que me sentia bastante segura... Não.

Quando cheguei à faculdade estava lá imensa gente, e toda a gente parecia estar a divertir-se imenso. Tinha uma série de gente para encontrar lá dentro. Estava à entrada para pagar o bilhete... 'Sorry, we are sold out, we are not allowed to let more people in.'; 'Whaaaaaattt??'. Bem, entrei na faculdade, podia ser que houvesse uma maneira de entrar por dentro, mas fui barrada por uma segurança.

Desisti da festa. Mas estava a custar-me acreditar que tinha de ir para casa, e voltar a fazer o mesmo caminho de bicicleta sem pelo menos me ter divertido um bocadinho. Estava cansada, e não me apetecia muito ser chata, e investir em entrar na festa (algumas pessoas que conhecia disseram-me cá fora que se insistisse muito eles deixavam entrar eventualmente). Fui até à bicicleta. Saquei das batatas fritas e da maionese, arrapei com tudo... Fui para casa.

Nicas

terça-feira, outubro 20, 2015

Ramelas de mestrado

Aqui no departamento de Medicina Interna, trabalha um boss da cardiologia equina que escreveu uma série de capítulos para um dos livros de referência. No meu primeiro dia de day shift, um senhor do qual nunca tinha ouvido falar, andou à minha procura para me introduzir à clínica. Era ele mesmo.

Aqui eles fazem um teste que em Portugal nunca vi fazer, o 'exercise test'. É bastante simples. Fui ao repositório da faculdade e não vi lá nada sequer sobre cardiologia equina. Então alimentei a ideia de fazer a tese sobre isso. Andei à procura do senhor para depois perceber que ele tinha ido ao México receber um prémio. Na semana seguinte ia fazer night shift, e as chances de o encontrar iam ser muito escassas, mas não perdi a esperança!

Numa manhã quando estava toda ramelosa e mal cheirosa depois de sair do dormitório para ir para casa, encontrei-o a falar com a responsável do departamento, e fiquei ali a fazer de candelabro à espera que me dessem atenção. Foi então que 5 segundos depois de começar a falar com ele, percebi que ele era igual a mim, fala fala fala, troca-se todo, mas felizmente disse-me que sim.

Fartou-se de me dizer: Mas isto é mesmo muito simples, não tem grande coisa para falar. E eu só pensava: Caraças estou cheia de sono, como é que eu lhe explico que quanto mais simples melhor, que ninguém na minha faculdade falou nisso ainda... Abre os olhos vá...'I mean, why not? Nobody ever did it back at my faculty, and it can give an interesting discussion'... Uma cena fixe em inglês que ele me levar a sério vá... Chuta ai: 'jeopardise performance', deve chegar...

E fui para casa toda entusiasmada. Assim que cheguei mandei um mega mail à minha orientadora, mas ela não ficou nem de perto nem longe muito impressionada ou entusiasmada, bolas. Mas desejou: Bom trabalho. 

Nicas

terça-feira, outubro 13, 2015

Night shift

O 'night shift' é o meu drama actual. Dá-me taquicardia, não gosto nada da ideia de trabalhar de noite, de ficar exausta, e de ficar a dormir na faculdade sem energia para voltar a casa antes do próximo turno. E pior, não gosto mesmo nada de ter de ficar lá metade do dia e a noite de sábado, e o dia inteiro e a noite de domingo. Por mais que tente aceitar a ideia de ser um sacrifício passageiro, a verdade é que me aflige bastante. O facto de que sempre que falo nisso, as pessoas olharem para a situação com um certo choque, também não ajuda. 

A verdade é que o motivo de tal atrocidade, foi o facto dos alunos o preferirem. Sacrificaram o turno do tarde, e fundiram-no com o turno da noite, para terem uma semana livre. Mas eu ainda não decidi o que vou fazer com essa semana. Não faço a mínima ideia, e ter uma semana em que não sei o que vou fazer, num país que não é o meu, sabendo que toda a gente vai estar ocupada, não é assim tão apelativo quanto isso. Provavelmente, só vai dar para repor as tais horas de sono perdidas, a tratar cólicas noturnas, a trocar soros, a mudar ice packs, e a assistir a cirurgias matutinas. 

As cirurgias até são giras, a não ser pelo facto dos cirurgiões serem geralmente pessoas com péssimo feitio assim que agarram no bisturi, e fazerem perguntas que a certa hora da noite já ninguém consegue responder, nem com duas coca-colas, dois cafés, e três redbull no sistema.

É claro que eu não me importo nada, e até gosto bastante, de caminhar pelos estábulos, e ver os cavalos. Mas estamos na Bélgica, e colocar pezinhos na rua às 6am não é propriamente uma tarefa agradável. O frio hoje era tanto, que eu já nem conseguia distinguir bem os cavalos, quanto mais ver se os soros estavam mesmo a correr ou não, ou ouvir se a bomba de soro estava a apitar.

Os meus colegas esta semana são fixes, e até divertidos. No entanto, calhei no grupo de um moço que matou um pónei (que ia morrer que qualquer maneira, mas enfim), ao abrir a porta onde passa o sistema de soro na bomba, e deixou que a lidocaína corresse toda para a jugular do pobrezito; e que desapareceu num turno de fim de semana para ir para os copos. 

Isto tem tudo para correr bem...

Nicas

segunda-feira, outubro 12, 2015

What the...?

Quando estava a fazer Erasmus em Barcelona, umas boas semanas mais tarde apareceu na residência um rapaz canadiano com quem joguei voleibol no primeiro dia em que ele decidiu ir conhecer a malta. Naquele mesmo dia joguei também com uma rapariga belga que mais tarde vim a descobrir que era aqui de Gent, e foi a primeira vez que tomei conhecimento na primeira pessoa dos palavrões em francês... Ai, saudade.

A partir daquele dia, apenas estive com o rapaz com ele embriagado (eu também devia estar às vezes, mas o moço era uma exagero), excepto de uma vez, em que conseguimos ter uma conversa de gente decente, e foi suficiente para manter uma relação de simpatia.

No outro dia ele publicou uma frase de uma série de desenhos animados que me deixou a pensar. Fui pesquisar um pouco mais sobre a série, e ela tinha 9,2/10 no imdb, então comecei a ver... A série é a só a maior mixórdia que se pode imaginar. Nada faz sentido, mas depois tudo faz sentido de certa forma.


Esta não é a frase que ele publicou, mas sim a que me marcou mais.

Nicas (Rick and Morty: O maior 'wtf' que existe. Mas hei, 9,2/10 no imdb...)

sábado, outubro 10, 2015

Para a vida mudar

Se procurarmos um bocadinho por um bom filme (às vezes nem precisa de ser um filme assim tão bom) ou um bom livro (que também não tem de ser assim tão bom), podemos ler nas histórias, principalmente nos finais felizes, uma altura que uma determinada personagem decide mudar alguma coisa: uma atitude, uma perspectiva, uma maneira de pensar... qualquer coisa que muda o curso da sua vida, e as coisas começam a fazer sentido. No entanto, parece instantâneo. 

Quando é que isso nos acontece?

A sério?! Quando é que eu vou olhar para mim e para minha vida, e ver que tudo faz sentido? Quando é que os meus amigos e a minha família vão olhar para mim e pensar: A Vanessa é uma pessoa com as ideias no sítio, e está num bom caminho. Eu pessoalmente olho para mim própria e penso que ando perdida, e às vezes demasiado focada em mim própria quando deveria valorizar os meus amigos, a minha família, e as coisas boas que acontecem na minha vida. Fico demasiado focada nos meus problemas, nos meus dramas, nas minha inseguranças, e presa a sentimentos antigos, passados da validade, que por algum motivo não pareço ter forças para deixar ir. 

Onde está a linha que separa o momento em que estamos demasiado enterrados na nossa vida, quando nos deveríamos estar a concentrar mais nos outros e nas pessoas que são importantes para nós?

Quantos joules de energia são necessários para mudar uma vida?

Nicas




sábado, setembro 26, 2015

Depois de uma noite muito má...

Sente-se que já se leva alguma boa bagagem em cima, quando se sente num buraco, e mesmo assim consegue-se resistir àquela vontade infantil de ir fazer asneira.


Nicas

Gent

Ora cá estou em Gent.... Quando fui para Barcelona estava numa momento da minha vida muito parecido com o momento em que estou agora. Estava perdida, e cheia de desgosto. Pouca sorte a minha que o desgosto tem o mesmo nome, e está um pouco maior agora. Quem disse que deixar ir não era fácil, não estava a brincar...

Quando estava a vir para a Bélgica a minha cabeça não estava cá. Tem graça porque antes de vir estava cheia de medos irracionais, mas assim que o avião se levantou no ar, já não pensava muito em nada. Tinha a cabeça dispersa, mas vazia. Não é todos os dias que o amanhã é uma paisagem incógnita, e todo o que se sabe são vagas instruções de um sítio onde se tem de ir a determinadas horas, e não se tem a menor imagem desse sítio. O que foram expectativas nos dias (semanas e meses) anteriores transformou-se em nada.

A Bélgica é muito verde. É a primeira coisa de nos apercebemos quando o avião começa a descer, quase a querer tocar na paisagem. As pessoas são uma mistura de latinos com europeus do norte. Tem melhor forma física que nós portugueses, quando mais não fosse por andarem tanto de bicicleta. As pessoas nem são fechadas nem abertas, simplesmente são o que são.

Chove imenso, e anda-se muito molhado, mas é uma coisa a que pessoa se acostuma. Já dizia um professor meu que o ser humano não se dissolve na água.

Os Erasmus internacionais (maioria espanhóis, que são muito porreiros) são bastante mais cromos que o Erasmus de Barcelona, e todos eles me fazem sentir que já não tenho idade para estas vidas. Deu-me uma saudade tão grande que andei a fazer stalking aos meus amigos de Barcelona. Mas nada disto é comparável. Quando cheguei a Barcelona eu era das mais novinhas, eu era a crominha, agora estou no 6º ano, sou das mais velhas, e já cá não estou para ir às aulas, estou aqui trabalhar, com um sentido completamente diferente de responsabilidade.

Verdade seja dita, Gent tem imensa pinta. Gostava que me soubesse mais a casa, mas ainda é cedo. Barcelona demorou imenso tempo a saber a casa. As coisas demoraram imenso tem a acontecer, e as amizades a crescer. Por isso, não é de esperar que aqui seja diferente, tal como não seria, se eu voltasse agora neste momento a Barcelona, seria como começar tudo de novo. Até voltar para Lisboa, bolas... senti-me uma extraterrestre, a desdenhar de tudo. Aqui também desdenho de tudo, tipo... Não posso usar VISA no supermercado! Mas é fixe poder andar de bicicleta para todo o lado...

Nicas

domingo, abril 12, 2015

O problema da auto-estima

Na passada terça-feira fiz algo que já vinha há muito tempo para fazer: fiz uma progressiva. O que é uma progressiva? É o contrário de uma permanente. Se uma permanente deixa o cabelo sempre encaracolado, a progressiva deixa o cabelo o sempre liso. E assim miraculosamente, o cabelo fica logo liso, sem precisar de alisador nem de nada. 

Eu antes de o fazer achava que finalmente, ia deixar de me preocupar com o cabelo, e me ia sentir mais confiante. Nada disso. Percebi que engordei, que andei a descuidar-me desde o Verão passado, e sítios onde a roupa estava folgada, já começa a ficar apertada. Que se nota um enchaço na zona da barriga. Mas pior! O cabelo assim depois da progressiva fica oleoso mais depressa, e como se pode usar um champô que faça muita espuma, não fica bem lavado, e em cima fica sempre esquisito. Mas pronto, está bonito assim depois de lavadinho. Está comprido. Mas parece que não condiz com o meu corpo. Sinto-me uma matrafona. A minha roupa não fica bem nas minha novas medidas. A minha prima até disse que eu não estava gorda, estava curvilínea, que é o mesmo que dizer: pois, engordaste um bocadinho. Eu não tenho roupa  para isso! Sinto-me mal. Preciso de trabalhar nisso...

Mas estes pensamentos um tanto pessoais, merecem uma revisão mais profunda. Até que ponto é que as medidas têm significado? Pois eu diria psicológico. A guerra mediática pelo o que é o corpo perfeito, nunca deixou de ser subjectiva. Uma mulher magrinha não é bonita por isso, e uma mulher gordinha não é feia por isso de todo também. Tudo é subjectivo. Umas pessoas são mais bonitas de determinadas formas. Há pessoas que ficam mais bonitas com uma carinha redondinha, e outras que feições mais finas. Há pessoas que se sabem vestir bem de acordo com o corpo que têm, e outras que não. Mas lá está! Tudo depende. Eu acredito que nós temos o direito de, saudavelmente, alterar ou melhorar coisas em nós de que não gostamos. O que está errado é a pressão social subjacente. É muitíssimo difícil uma pessoa ter uma opinião racional e exacta de si própria, e é necessário não se brincar com isso.

Nicas

sexta-feira, março 28, 2014

Reflexão depois do ter estado no site da ATP

De momento estou a fazer uma ronha de estudar um cadeira que é 'rollo' muito grande, é que Tecnologia dels Aliments, e venho falar de ténis. Pronto, vá, é reflexão não é preciso perceber de ténis.

Um jogador de ténis pode ser contante, dar sempre o mesmo tipo de batalha ao adversário, ter os seus pontos fortes, e jogá-los bem em todos os encontros. No fundo, podemos esperar sempre que um Rafael Nadal e uma Serena Williams em plena forma física, dificilmente percam um encontro.

Ora quem gosta de 'máquinas' estáveis, e que pode esperar sempre um bom resultado, acaba por ser fã de jogadores assim. Eu não gosto, talvez porque não me identifique...

Na vida em geral, ou nas coisas que interessam à maioria das pessoas, eu sou uma falhada. Demorei muito e tirar a essa frustração da cabeça, Barcelona ajudou um bocado 'moltes gràcies', e aprendi que o facto de ser falhada ou não, não tem nada que ver com o que interessa à maioria das pessoas, tem a ver comigo própria. Claro que isto é óbvio, mas às vezes o tem a ver connosco próprios também tem a ver com os outros, dependemos deles. É díficil não me achar uma falhada quando alguém que é me próximo me faz uma crítica negativa nesse sentido.

Mas onde eu queria chegar é que as vitórias são relativas. Para uma pessoa que ganha sempre, ganhar significa pouco, e o mesmo se passa com uma pessoa que não se considere 'falhada'. Eu não me importo de sofrer mais a torcer pelo mais fraco do encontro, porque tenho noção das probabilidades, sei que vai perder, mas se ganhar... Oh, se ganhar...!

Eu não importo de ter falhado, ter feito errado, porque quando eu acertar... Oh, quando acertar...!

Nicas

sábado, março 15, 2014


quinta-feira, março 13, 2014

Não quero voltar

Estava ali no dorme-não-dorme, um dos momentos mais inspiradores da vida da pessoa, tal como os duches, e estava a sentir-me tão comfortably numb, que me apercebi que não quero voltar a Portugal. Quero ver os meus amigos, quero estar com a minha família, mas não quero voltar a título definitivo.

Quero ficar aqui, onde as possibilidades continuam tão altas, onde estou tão livre para sair como para ficar em casa, onde não tenho de me preocupar com a opinião de ninguém, onde as minha inseguranças pesam tão pouco. No fundo, quero continuar em fuga...

Descobri que Lisboa me deixa insegura. Gosto tanto dos catalães, aqui em Barcelona é que percebi o que quero mesmo da vida... Estou entusiasmada com a veterinária.

Quero continuar a andar em fuga.

Então agora ando a fazer pesquisas, a procurar possibilidades de fazer internatos o mais longe possível, nem me importo que a minha mãe me queira matar por isso. Estive a ver Austrália, Nova Zelândia, porque os meus professores disseram que é um sítio onde estão a precisar de veterinários para grandes animais, e vou começar a ver África e alguns países da América do Sul, com o Brasil como preferência. No final do 5º ano fujo outra vez, mas com mais estilo e para mais longe. Vou à procura de um sítio onde precisem de mim.



Nicas

terça-feira, março 11, 2014

Gravity

Eu não vi os Óscares, mas como toda a gente que não viu os Óscares, eu tenho uma opinião sobre o assunto na mesma.

Ora, quem viu o filme Gravity, e não percebeu porque é que o filme ganhou tantos prémios, é porque não percebeu nada do filme. Quem viu aquele filme e foi capaz de trocar de lugar com a Sandra Bullock uns segundos, percebe que o filme é espetacular, e nem todos os filmes precisam de ter uma grande história para serem bons filmes. O filme tem um mensagem instrínseca fantástica, e eu vivi mesmo aquilo tudo.

Claro que pronto, eu queria ser astronauta quando era pequena (e de vez enquanto ainda quero...) mas mesmo assim, acho que posso dizer de uma maneira não muito parcial que o filme é brutal, e na simplicidade, o que o faz ainda mais brutal.

Não faço ideia se os outros filmes mereciam mais ganhar ou não, porque não vejo muitos filmes, e sem ser o American Hustle ou Frozen, e mais um ou outro, acho que não vi a maior parte dos que estavam nomeados a categorias. Era para ver o Blue Jasmine, mas não vi...

Nicas

Formigueiros

Uma coisa de que não gosto nada são de frases feitas. Porque são pensamentos que se aplicam ou aplicaram a uma situação numa determinada altura, mas que não significam que se aplique a toda a gente. O mesmo se passa com os conselhos. Quando tenho problemas, vou atrás da sabedoria dos outros, porque vendo de fora, as outras pessoas parecem ter um olhar mais 'limpo' sobre o que se passa, como se pudessem ser um narrador participativo da história. Por algum motivo, sinto que preciso disso.

Ora, a minha teoria é que os conselhos são péssimos. A única frase feita de que gosto é: 'Se os conselhos fossem bons, não se davam, vendiam-se'. O único bom conselho que podemos ter vem de nós próprios. Embora ache que é de lá que vem o problema, a verdade é que é o coração que dá as respostas. Mas deixar que os meus instintos mais primários coordenem a vida, não parece racional, quero lógica... E é quando procuro uma explicação para as coisas e não a encontro, que penso demasiado nas coisas e fico deprimida. 

Como é que é o coração dá as respostas? Porque é dele que vêm aqueles formigueiros, os bons e os maus. Quantas vezes queremos muita alguma coisa, mas sentimos um mau pressentimento, um formigueiro mau... Quantas vezes queremos muita uma coisa, e ela nos sabe bem, como o calor de um sol de inverno? A minha teoria é que as respostas para os problemas estão em deixar que os formigueiros bons comandem a vida, sem pensar muito nisso.

Nicas

sexta-feira, janeiro 24, 2014

En el bar abans de producció animal integrada I

O ser humano é uma máquina. Somos máquinas fantásticas, extremamente complexas, capazes aguentar muito mais do que aquilo que a nossa natureza queixosa gosta de admitir. Só que pronto, também fomos desenhados para nos poupar a nós próprios, usando essa energia máximo só quando necessário.

Eu estou agora mesmo surpreendida comigo própria, eu que passava tanto tempo a queixar-me com falta de tempo e cabeça para estudar com tão poucos dias, e agora, ironia, calharam-me todos os exames numa só semana, é a vida a dizer: Toma lá que já almoçaste...

A vida para mim é extremamente irónica. Basta olhar para as pessoas que me são mais próximas, de quase todas me lembro o momento em que as conheci, e de nenhuma destas me lembro de sequer ter pensado: Ei, esta pessoa vai ser um excelente amiga... Mas acabou por ser. Em contra partida muitas pessoas de quem gostei 'à primeira' não são hoje em dia pessoas a quem possa chamar de amigas sequer. A vida tem destas coisas.

Quando andei no básico também achava que por mais que a vida fosse difícil quando fosse mais velha tudo ia melhorar, e a verdade é que melhorou, mas não no sentido em que eu costumava imaginar. Imaginava muita coisa naquela altura. Às vezes imagino-me a ir ao passado ter comigo mesma e conversar com ela. Provavelmente, não fazia sentido pedir-lhe que fosse ou fizesse as coisas de maneira diferente, talvez alguma coisa ou outra... Mas não muito. Estou-lhe muito agradecida, ela sabia fazer sacrifícios, e sem ela eu não estaria aqui agora no bar da facultat de veterinaria a preparar-se para o último exame e dia, daquela que foi uma semana não tão má como seria de esperar.

Nicas

quinta-feira, janeiro 02, 2014

Resoluções

Para este ano não tenho expectativas. Sempre todas as passagens de ano desejo coisas com as paças, mas este ano não desejei nada... No fundo eu só quero que a vida melhore. 
Só queria deixar de ser esta pessoa sempre tão dramática e preocupada. Este pessoa tão melindrosa que o amanhã não lhe traga aquilo que sonha.
Eu gostava de conseguir facilmente deixar ir. 
Eu só queria depender de mim própria para ser feliz.

De resto vou-me inscrever no ginásio, mas isso como toda a gente o faz, não conta...

Nicas

domingo, dezembro 15, 2013

Ai a vida

Faltam 4 dias para poder voltar a Portugal.
Amanhã tenho um exame e acho que não sei nada daquilo, e olho para os apontamentos que parecem hieróglifos, como um boi para um palácio.
E depois de amanhã vou ter 3 dias para me despedir temporariamente de Barcelona. Negligencio-a muito, coitada, gostava de ter mais tempo...

Hoje também mudei de casa, para um estúdio mais pequeno. Não gostava mesmo da outra casa, mas gostava de duas catalãs que viviam comigo (chaminés, as duas, mas impecáveis) e comecei a chorar na despedida. Pergunto-me como é que tão difícil dizer 'Adeus', mesmo quando algo é tão negativo. As pessoas às vezes dizem que só valorizamos as coisas más. Mas não é verdade. Se assim fosse assim as pessoas não se queixavam tanto, porque já se teriam visto livres do que lhes faz mal. As pessoa agarram-se muito a coisas negativas sem serem capazes de as deixar, porque acreditarem no lado positivo das coisas, por mais pequeno que seja, E depois lá está, queixam-se... E depois quando finalmente dizem adeus, parece que já não havia nada de negativo. São os anti-corpos da mudança.

Mas a Mudança, essa senhora... Precisamos dela.

Nicas

quinta-feira, novembro 14, 2013


sexta-feira, novembro 08, 2013


quarta-feira, novembro 06, 2013

A corrida

Ali estava eu sentada na sala de estar do apartamento da residência, onde já se entranhou o cheiro do tabaco das minhas flatmates, e pensei, pá! Tu mereces isto. Anos a queixar-te de tabaco, do cheiro a tabaco, e a pensar que ideia era essa de fumar e aqui estás tu, bem feita. Com um pouco de álcool um dia aqui a Barcelona, na noite do Barça-Real, dei pela primeira vez uma golfada. Não toci, não senhor, mas aquilo é só horrível, parece que se acabou de chupar directamente o tubo de escape de um automóvel.

Tenho de sair daqui, tenho de ir fazer alguma coisa! Vou correr. Agarro no meu mp3, que já conta 6 anos, (bolas como o tempo passa...) e que agora se encontra cheio daquilo que um amigo meu chamaria de 'pop da moda', visto uma pseudo roupa de correr, 'Fins ara', e lá vou eu pelo passeio fora. Swedish house mafia a animar a malta. O meu plano de correr, é dar a volta à rotunda ao pé da estação de Bellaterra, e voltar, mas pelo caminho encontrei muita gente. Isto de correr assim sozinha à frente das pessoas não me agrada, sinto-me ridícula. Quando já só faltava um bocadinho para chegar à rotunda, voltei para trás. Mas ainda tenho muito energia, 'bora subir e descer escadas. Já tinha acabado quando penso que se calhar aquilo era capaz de ser mais ridículo... Já não quero saber, já passaram algumas músicas, não tarda posso voltar para casa. Olha para mim cheia de energia, ah não espera, está ir embora, ai... A dor de burro... Porquê!? Vou a andar... Não! Não pára! Vai mais devagar, mas não pára. Cá para mim está mas é a armar-te em carapau de corrida. Nada, tu és capaz, vamos lá.

Chego a casa, com o ar e pernas que já não tinha, e estar viva só podia ser sobrenatural. A janela estava aberta,o que é sempre bom, mas a casa precisava de ficar um dia inteiro a arejar para deixar de cheirar a fumo... Já tenho planos para o fim de semana, arejar a casa um dia inteiro. Para alguma coisa tem que dar jeito passar os fins de semana sozinha.

Nicas

Nada de criativo

Nunca escrevi aqui nada de romântico, nada que falasse especificamente de alguém ou um sentimento mais profundo, o que deveria ser estranho, mas não é. Este blog não serve para fazer revelações serve para ser um pouco criativa com o meu mundo. Nada de criativo na minha vida esteva alguma vez relacionado com nada romântico, talvez alguma poesia tristonha, mas isso não vem para aqui, por razões óbvias. Eu não tenho vida amorosa. Mesmo quando pensava que tinha, não tinha, e andava enamorada de nada.

Um dia quando falei de estoicismo no fundo era para consolar uma frustração. Era muito mais fácil viver em alegria estóica do que o desgosto de ter 21 anos e nunca ter aprendido o que é essa coisa fantástica que dizem ser, amar e ser amado.

Nem é como se eu só tivesse maus exemplos de relacionamentos, pelo contrário, e talvez por isso tenha esperado demasiado das pessoas e de mim. Não sou nada confiante, mesmo que pese 50-60 quilos, e ninguém fuja a olhar para mim, nunca me vou sentir suficiente para que fiquem comigo. Mas mesmo já metendo na cabeça que tenho de baixa a fasquia, qualquer que ela seja, e que nem estou assim tão certa que ela exista, a verdade é que, não acontece. Que hei-de fazer? Não posso fazer nada...



Nicas

terça-feira, novembro 05, 2013

De Volta à Catalunha

Aqui estou eu a ver um jogo Real vs. Juventus, provavelmente no único lugar de Espanha onde se torce pela Juventus...

Nicas

terça-feira, outubro 29, 2013

Barça

O dia do jogo Barça vs. Real foi dos melhores dias de sempre aqui, há muito tempo que não me sentia e divertia assim. O Cristiano Ronaldo, que levava as mãos à cabeça, claro que não me deixou feliz, e festejei muito o único golo do Real. Mas o Barça ganhou naquela altura um lugar especial no meu coração.
A parte mais gira foi mesmo depois do jogo, e de ter andado de um lado para o lado pelo carrer aribau, onde a malta se encontrou toda. Até deu gosto falar de futebol, e perceber que a malta conhecia os jogadores portugueses e as equipas portuguesas; 'Benfica? Yes... But you know Sporting?', 'Sporting de Lisboa? Yes, I know of course'. Nunca gostei tanto de futebol como naquele dia.
A parte mais gira de esta a viver numa residência é que se conhecem tantas pessoas, que as pessoas que estão connosco no início, não são as mesmo que estão no final: 'Where is?... Wow, what are you doing here?'. Por mais portuguesa que seja, acho que nunca vou esquecer daquele dia/noite.




Nicas (Tenho de ir mesmo a Camp Nou)

Eu e esta mania

O stress está-me no sangue, eu sou descendente de pessoas notoriamente nervosas que pensam demasiado nas coisas, e para quem nada está bem se não forem elas a fazê-las. Para eu não ser assim tenho de fazer um esforço. Estando de Erasmus é normal que nada seja como eu queira ou como eu idealize. A ideia é ir com a corrente. "Respira fundo Vanessa, respira... Segue os teus próprios conselhos que vai ficar tudo bem". E fica...

Nicas


domingo, outubro 27, 2013


terça-feira, outubro 22, 2013



Why can't I be as fabulous as this woman?

Nicas

segunda-feira, outubro 21, 2013

“Imagina um Portugal-França” no play-off?"

“Imagina um Portugal-França” no play-off?

Imprensa estrangeira destaca a possibilidade de um duelo Cristiano vs Ribery no sorteio de hoje.

NÃOOOOOOOOOO!!!!!

Nicas

sexta-feira, outubro 18, 2013

Passive agressive

Eu não gosto de pessoas passivo-agressivas, não trazem nada de bom, e é uma perda de tempo sê-lo. Assertividade é o que se quer. Mas agora que me dá muito vontade de rir, dá.



Esta imagem estava na página de facebook A Verdadeira Cabra, e tinha a legenda:
Carrego nas minhas "mãos" a chama que acendi com o ódio das invejosas. Beijo 
Nicas (Genial...)

Alone with the city

Era muito pequena quando conheci Lisboa, colossal para mim na altura, a capital era uma mistura de pessoas com carros, edifícios e luzes. Ir a Lisboa para mim era a fuga do verão. Mais tarde quando tinha de escolher para onde queria ir estudar quando fosse para a Universidade, dizia muitas vezes: Lisboa não, está mais do que vista Lisboa. Mas acabei por escolhê-la na mesma. Depois apaixonei-me por ela, por passear por ela sozinha, explorando-lhe as ruas e conhecendo-lhe os sítios.

Mas talvez ela nunca me tenha perdoado a traição de a considerar mais do que vista, e nunca me deu muito dela, nunca a vivi em pleno, e nunca cresci muito com ela.

Agora aqui em Barcelona, a caminho de casa sozinha, por estas ruas orgulhosas imponentes catalãs, é que entendo o quão insignificante se pode ser neste mundo. O não ter ninguém para quem voltar... Até o telemóvel tinha morrido. Só uns trocos na carteira, e cartão praticamente sem dinheiro suficiente sequer para levantar. Mas é meia noite e ainda passam por mim estrangeiros (como eu) de bicicleta, ainda pessoas passeiam o cão, mas mesmo assim quando chegar ao ferrocarril já não vou ter comboio para voltar para casa, e vou ter de esperar por autocarro da noite que só começa a circular à uma e meia, e eu aqui sozinha, estou a pôr-me a jeito, vou pensado.

Mas antes vou ter de ir para a Praça da Catalunha que nem sei em que direcção fica. Pergunto às pessoas na rua: Plaça de Catalunya, cerca daquí? No, no... No es cerca. Ainda tenho viagens nos bilhetes, bastantes, vou procurar um autocarro. Apanho um autocarro que vai tão atrasado que já nem era suposto estar a circular. Às tantas vou sozinha nele e o condutor pergunta-me para onde vou, Plaça da Catalunya digo eu, Ferrocarril, e o condutor responde que me vai dizer cerca do ferrocarril, que se der uma corrida ainda o apanho, mas qual quê? Não apanho nada. Corro na mesma... Quando chego o senhor da estação pergunta-me qual quero apanhar, S2, S2 já partiu, bem me parecia. Lá vou eu para a paragem do autocarro. McDonalds! O melhor consolo para quem tem de esperar uma hora e vinte, e está morta de fome, por não ter conseguido comer nada onde era suposto estar, e não ali sozinha. Compro um Happy Meal,e calha-me um Louigi no brinde, como é que mesmo tão fora de contexto aquilo me causou tanta nostalgia? E consolei a barriga. 

Olho para as luzes da rua: Barcelona, estás a querer ensinar-me alguma coisa hoje? A parte boa é que posso esperar pelo autocarro ali dentro, porque como o telemóvel morreu não tenho música para ouvir. Are you wainting for the bus too? Bellaterra? Era uma moça que estava aqui sentada com o telemóvel quando eu entrei. Yes, just lost the train... UAB, eramus? Era holandesa, chamava-se Loulou, estava contente porque tinha discutido com o namorado, mas entretanto estava a falar com ele pelo telemóvel e já estava tudo bem, gostava mesmo dele, não conseguia imaginar-se sem ele, e já estava cansada de 'sleeping around'. Pedia desculpa por estar sempre com o telemóvel, e eu digo que entendo, se tivesse um namorado também ia quer andar sempre assim... Vanessa! Isto encontra-se tudo aqui! Era uma amiga portuguesa do Porto que andava a passear com os amigos de uma amiga lituana que vivia com ela e desistiu do eramus, mas entretanto os amigos já tinha comprado as passagens, e ela teve de recebê-los pela amiga porque ela entretanto já tinha 'fugido' para a Lituânia. E pronto, logo deixei de estar sozinha. Chego a casa, deito-me... Oh Barcelona, estamos a começar a conhecer-nos melhor.

Nicas

domingo, outubro 13, 2013

segunda-feira, outubro 07, 2013

Pablo Picasso

Já não me lembro se no metro do saldanha, ou no metro da cidade universitária, ou em nenhum deles, está a seguinte frase de Cesário Verde: "Se eu não morresse nunca e eternamente buscasse e conseguisse a perfeição das coisas!". Parvoíce, a vida não é buscar a perfeição das coisas, talvez o seja nas nossas coisas, e constantemente aprendermos a aperfeiçoar-nos e aquilo que fazemos, mas a vida é aprender a conviver com a imperfeição das coisas.

Ontem fui ver o museu do Picasso, e aqui em Barcelona não estão expostas as suas principais obras, mas sim a sua história. A minha opinião é que no início, Picasso pintava como era suposto pintar, tentando buscar a perfeição da realidade, a aceitação das pessoas... Mas com o tempo foi como se se tivesse libertado completamente disso, e começasse apenas só a pintar aquilo que queria. Como se do dia para a noite, Picasso tivesse ganho sentido de humor e aceitou que a perfeição não existe, e em vez de só pintar, começou a divertir-se.

Sinceramente, não gosto particularmente muito da obra de Picasso. Havia uma parte que era sobre pombos, e tudo aquilo parecia coisa feita por crianças, ou por adultos que desenhassem muito mal. Mas depois haviam alguns que eu pensava - Este até nem me importava de ter em minha casa, como o Jacqueline. Para apreciar o trabalho de Picasso é preciso ter imenso sentido de humor, e pensar que tudo aquilo é feito por alguém que realmente sabe pintar.


Nicas

sábado, outubro 05, 2013

Diário de Barcelona - Erasmus

Dias 25, 26, 26, 28, e 29


Boas, vou terminar por aqui, hoje precisamente, dia 5 de Outubro é o dia 30, ou seja, já fez um mês que aqui estou. A não vou escrever mais, porque os dias são cada vez mais rotineiros, vou tendo menos que escrever.
Esta semana passou rápido, tive alguma aulas, mas poucas, e tive a quarta feira toda livre. Ter um dia inteiro livre é muito esquisito, principalmente quando se tem aquela sensação esquisita que não há nada para fazer, mesmo dando uma olhadela nos powerpoits, parece sempre tudo tão inútil... Ainda vou querer este tempo todo de volta.
Depois não fiz mais nada. Queria ver se este fim de semana ia ao Museu Picasso, e outro sítios giros, mas pronto não sei... Seja como for tenho muito que estudar.
E pronto fico por aqui com o Diário de um mês em Barcelona, um cidade lindíssima, com balanço positivo, apesar das inevitáveis saudades.

Nicas

segunda-feira, setembro 30, 2013

Autárquicas

Ainda bem que não estou em Portugal agora...

Por causa destas verdades que até custam a ler...

Nicas ("«Cristiano Ronaldo felicita Rui Costa e João Sousa»: patético, lamentável, vão todos para o raio que os parta." Mas o que é que o Cristiano Ronaldo tem a ver com isso? Falta de respeito...)

domingo, setembro 29, 2013

Diário de Barcelona - Erasmus

Dias 22, 23 e 24

Estes dias, esta semana em geral, foram particularmente esquisitos, andei sempre cansada, e sem vontade de fazer nada, até ontem, dia em que bebi e fui sair.

Uma das poucas coisas que já aprendi com a vida, é que as coisas raramente vêm até ti quando as queres muito, quando esperas por elas. A maior parte das coisas boas gostam de nos apanhar desprevenidos. Quando tenho um bocado de álcool no sangue apercebo-me sempre muito disso, porque falo imenso, mas imenso, sou extremamente chata, e acaba por me acontecer de tudo um pouco, bom e mau, mas sempre extremamente embaraçoso.

Eu e o álcool combinamos muito mal. Mas não sei porquê, finalmente me sinto em Barcelona. Um desprendimento brutal mas controlado, porque enfim, porque é que me hei-de preocupar tanto? Toda a gente bebeu, toda a gente fez coisas parvas, a única diferença que tem é que a mim não me acontece muito, e é sempre estranho quando acontece.

Mas onde eu queria chegar é que normalmente bebe-se porque se quer que aconteça alguma coisa boa, queremos esquecer ou deixar de pensar em alguma coisa má... A mim o que acontece é mais uma dor de cabeça enorme, e "face palm" o dia todo, a rezar para que ninguém se lembre de alguma coisa que o disse ou fiz. No fundo, não é resolver um problema, é mais arranjar outro. Mas bolas, estou em Barcelona, ainda não tinha feito nada estúpido, fiz ontem pronto, e oxalá não me esqueça desta dor de cabeça para ver se recupero o juízo, porque não é nada disto assim que eu quero... "Face palm".

Enfim... Não interessa....

Nicas ("Face palm")

sábado, setembro 28, 2013

Rascunhos

Tenho imensos rascunhos guardados aqui no blogger. De vez quando abro-os, mas nunca os recomeço, porque me parecem sempre maus. Maus no sentido de estúpidos, mal escritos, como se eu na altura tivesse alguma coisa entalada para escrever, mas estivesse à procura de outra forma de dizê-lo, e depois desistisse.

Aquelas frustrações miudinhas e egoístas de alguém que tem tanta mas tanta sorte, e que não consegue vê-la, e depois acorda e pensa: "Não! Então? Isto é estúpido...". Não conseguir ver a sorte que se tem é talvez o maior erro de todos, e que nos impede de ser felizes...


Nicas

quinta-feira, setembro 26, 2013

" 'Para ti, fui só um entretenimento' é uma acusação mais frequentemente feita por mulheres do que por homens. A versão masculina dessa 'revelação' é mais uma gratidão em fuga: 'Obrigado por teres entretido tão maravilhosamente! Que pena quereres mais do que isso... agora vou ter de andar à procura de outra coisa ou pessoa capaz de me entreter sempre que me fartar de enfrentar a minha vida'."
 Miguel Esteves Cardoso

Nicas (E fica tudo dito, e tudo explicado...)
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