quarta-feira, outubro 21, 2015

Desilusão e desgosto

No dia 24 de Setembro eu fui a Bruxelas de propósito votar. Se haviam eleições em que tinha de votar eram estas. 

Uma triste realidade a que cheguei com o passar dos anos, é que as pessoas são em geral muito estúpidas, e que os adultos não fazem muito mais ideia do que andam aqui a fazer que meras crianças, só que têm mais dinheiro. Pode parecer mau, mas é a minha maneira de olhar para a vida de há uns anos para cá. As pessoas são estúpidas, e eu própria consigo ser uma pessoa muito estúpida.

Muitas pessoas não fazem a mínima ideia no que votaram, não fazem ideia dos programas eleitorais, para elas isto de PSD/CDS - PS não passa de um Benfica-Sporting ou assim...

E o país não vai para bom. Temos muitos problemas, e que me afectam a mim directamente, porque sou uma jovem na recta final da Universidade. O desemprego nos jovens é devastador. Os que não estão desempregados ficam na sua maioria agarrados a empregos precários, ou a estágios do IEFP a ganhar misérias que nunca permitem que se tornem independentes, e deixem de depender dos pais, que muitas vezes também não o têm fácil para eles, quanto mais sustentar os filhos até aos 30 anos. É muito triste.

Mas se acham que eu acredito em partidos em que ninguém confiou para governar, e que têm uma ideia utópica do país e daquilo que pode e dever ser feito para o melhorar, para corrigir a situação, estão muito enganados. Eu não confio em BE, em PS e no caraças... Confio no PSD? Também não. Mas ao menos o homem não tirou um curso ao domingo, não foi preso, nem é amigo de tudo quanto é escumalha corrupta, nem parece capaz de tomar indevidamente o governo de um país que não o elegeu.

Se Costa formar governo, a desilusão e o desgosto pelo meu país irá ser ainda maior. Espero que não deixem que aquela escumalha de esquerda forme governo. Eles vão começar a gastar o dinheiro dos cofres do estado para fazer investimento público do qual não sabemos se teremos retorno, e vão fazer com que nos enterremos novamente e precisemos de ajuda externa, para nos tornarmos ainda mais escravos da Alemanha e de outros países que vão aproveitar para lucrar connosco, hipotecando o nosso Futuro ainda mais à incerteza e à miséria.

O jornal Charlie Hebdo veio elogiar a união de esquerda, que só se lembrou de se juntar depois das eleições: 

Com o título “Em Portugal, a união da esquerda faz a força”, o autor do texto, Jean-Yves Camus, saúda com efeito a decisão de António Costa de negociar com comunistas e bloquistas que, por sua vez, são igualmente aplaudidos pelas suas “concessões ao realismo para salvarem o essencial: bater uma direita antissocial”. 
“Ao abandonarem de momento o seu programa de saída do euro, os aliados (de Costa) fizeram prova de realismo, mostrando, como Tsipras (chefe do Governo grego), que a esquerda antiliberal pode ser outra coisa que um protesto ou uma utopia”, escreve o articulista.
Mas será que ainda não perceberam que estas comparações com a Grécia são tudo menos boas! A ideia é sermos diferentes, é ultrapassar a crise, é fazer crescer a economia, pagar o que se deve, incentivar o investimento externo e criar emprego.

Vão fazer o quê? Dar computadores a toda a gente outra vez? Construir o TGV sem dinheiro? Construir mais autoestradas? Acho que estamos a precisar...



Nicas

Go-cart race

O tipo de Erasmus que estou a fazer agora, tendo em conta que trabalho muito e muitas horas, incluindo fins de semana e noites, faz com que não dê tanto para sair. Quando estava em Barcelona ainda saía bastante. Se não saí mais, foi porque não quis, ou porque não tinha dinheiro. Mas agora não saiu mesmo porque não posso, ou porque sinto muito cansaço.

No entanto, na segunda-feira, depois de finalmente sair do turno do fim-de-semana, dormir umas horas boas, e comer imensas torradas, quis ir a uma festa. A aventura parecia bastante simples. Ia haver um autocarro para nos levar a partir de um sítio perto aqui de casa, então lá fui eu de bicicleta. Aparquei a bicicleta, e esperei... Nada. Mas que raio? Tento apanhar net no telemóvel para começar perguntar à moça da organização: Méquié? Mas a fome falou mais alto...

Aqui na Bélgica um dos pratos típicos é, nada mais nada menos, que batatas fritas com maionese. Existem imensas 'fritures' por todo o lado onde se podem comprar uma variedade grande de fritos. Incluindo os hambúrgueres, que são panados de uma maneira que em vez de grelhados são fritos. Enfim, uma tristeza gastronómica, mas que mata fome. Então lá fui eu buscar batatas fritas com maionese 'take away'.

Esperei um bocado, meti conversa com pessoas para saber se elas sabiam de alguma coisa. Desisti, agarrei na bicicleta, lá fui fazer os 7km para a faculdade. Esta esperteza andante, ainda não arranjou luz da frente para a bicicleta, e a via para as bicicletas que vai até à faculdade, passa no meio do nada ao lado de uma autoestrada sem luzes. Há que dizer que me sentia bastante segura... Não.

Quando cheguei à faculdade estava lá imensa gente, e toda a gente parecia estar a divertir-se imenso. Tinha uma série de gente para encontrar lá dentro. Estava à entrada para pagar o bilhete... 'Sorry, we are sold out, we are not allowed to let more people in.'; 'Whaaaaaattt??'. Bem, entrei na faculdade, podia ser que houvesse uma maneira de entrar por dentro, mas fui barrada por uma segurança.

Desisti da festa. Mas estava a custar-me acreditar que tinha de ir para casa, e voltar a fazer o mesmo caminho de bicicleta sem pelo menos me ter divertido um bocadinho. Estava cansada, e não me apetecia muito ser chata, e investir em entrar na festa (algumas pessoas que conhecia disseram-me cá fora que se insistisse muito eles deixavam entrar eventualmente). Fui até à bicicleta. Saquei das batatas fritas e da maionese, arrapei com tudo... Fui para casa.

Nicas

terça-feira, outubro 20, 2015

Ramelas de mestrado

Aqui no departamento de Medicina Interna, trabalha um boss da cardiologia equina que escreveu uma série de capítulos para um dos livros de referência. No meu primeiro dia de day shift, um senhor do qual nunca tinha ouvido falar, andou à minha procura para me introduzir à clínica. Era ele mesmo.

Aqui eles fazem um teste que em Portugal nunca vi fazer, o 'exercise test'. É bastante simples. Fui ao repositório da faculdade e não vi lá nada sequer sobre cardiologia equina. Então alimentei a ideia de fazer a tese sobre isso. Andei à procura do senhor para depois perceber que ele tinha ido ao México receber um prémio. Na semana seguinte ia fazer night shift, e as chances de o encontrar iam ser muito escassas, mas não perdi a esperança!

Numa manhã quando estava toda ramelosa e mal cheirosa depois de sair do dormitório para ir para casa, encontrei-o a falar com a responsável do departamento, e fiquei ali a fazer de candelabro à espera que me dessem atenção. Foi então que 5 segundos depois de começar a falar com ele, percebi que ele era igual a mim, fala fala fala, troca-se todo, mas felizmente disse-me que sim.

Fartou-se de me dizer: Mas isto é mesmo muito simples, não tem grande coisa para falar. E eu só pensava: Caraças estou cheia de sono, como é que eu lhe explico que quanto mais simples melhor, que ninguém na minha faculdade falou nisso ainda... Abre os olhos vá...'I mean, why not? Nobody ever did it back at my faculty, and it can give an interesting discussion'... Uma cena fixe em inglês que ele me levar a sério vá... Chuta ai: 'jeopardise performance', deve chegar...

E fui para casa toda entusiasmada. Assim que cheguei mandei um mega mail à minha orientadora, mas ela não ficou nem de perto nem longe muito impressionada ou entusiasmada, bolas. Mas desejou: Bom trabalho. 

Nicas

terça-feira, outubro 13, 2015

Night shift

O 'night shift' é o meu drama actual. Dá-me taquicardia, não gosto nada da ideia de trabalhar de noite, de ficar exausta, e de ficar a dormir na faculdade sem energia para voltar a casa antes do próximo turno. E pior, não gosto mesmo nada de ter de ficar lá metade do dia e a noite de sábado, e o dia inteiro e a noite de domingo. Por mais que tente aceitar a ideia de ser um sacrifício passageiro, a verdade é que me aflige bastante. O facto de que sempre que falo nisso, as pessoas olharem para a situação com um certo choque, também não ajuda. 

A verdade é que o motivo de tal atrocidade, foi o facto dos alunos o preferirem. Sacrificaram o turno do tarde, e fundiram-no com o turno da noite, para terem uma semana livre. Mas eu ainda não decidi o que vou fazer com essa semana. Não faço a mínima ideia, e ter uma semana em que não sei o que vou fazer, num país que não é o meu, sabendo que toda a gente vai estar ocupada, não é assim tão apelativo quanto isso. Provavelmente, só vai dar para repor as tais horas de sono perdidas, a tratar cólicas noturnas, a trocar soros, a mudar ice packs, e a assistir a cirurgias matutinas. 

As cirurgias até são giras, a não ser pelo facto dos cirurgiões serem geralmente pessoas com péssimo feitio assim que agarram no bisturi, e fazerem perguntas que a certa hora da noite já ninguém consegue responder, nem com duas coca-colas, dois cafés, e três redbull no sistema.

É claro que eu não me importo nada, e até gosto bastante, de caminhar pelos estábulos, e ver os cavalos. Mas estamos na Bélgica, e colocar pezinhos na rua às 6am não é propriamente uma tarefa agradável. O frio hoje era tanto, que eu já nem conseguia distinguir bem os cavalos, quanto mais ver se os soros estavam mesmo a correr ou não, ou ouvir se a bomba de soro estava a apitar.

Os meus colegas esta semana são fixes, e até divertidos. No entanto, calhei no grupo de um moço que matou um pónei (que ia morrer que qualquer maneira, mas enfim), ao abrir a porta onde passa o sistema de soro na bomba, e deixou que a lidocaína corresse toda para a jugular do pobrezito; e que desapareceu num turno de fim de semana para ir para os copos. 

Isto tem tudo para correr bem...

Nicas

segunda-feira, outubro 12, 2015

What the...?

Quando estava a fazer Erasmus em Barcelona, umas boas semanas mais tarde apareceu na residência um rapaz canadiano com quem joguei voleibol no primeiro dia em que ele decidiu ir conhecer a malta. Naquele mesmo dia joguei também com uma rapariga belga que mais tarde vim a descobrir que era aqui de Gent, e foi a primeira vez que tomei conhecimento na primeira pessoa dos palavrões em francês... Ai, saudade.

A partir daquele dia, apenas estive com o rapaz com ele embriagado (eu também devia estar às vezes, mas o moço era uma exagero), excepto de uma vez, em que conseguimos ter uma conversa de gente decente, e foi suficiente para manter uma relação de simpatia.

No outro dia ele publicou uma frase de uma série de desenhos animados que me deixou a pensar. Fui pesquisar um pouco mais sobre a série, e ela tinha 9,2/10 no imdb, então comecei a ver... A série é a só a maior mixórdia que se pode imaginar. Nada faz sentido, mas depois tudo faz sentido de certa forma.


Esta não é a frase que ele publicou, mas sim a que me marcou mais.

Nicas (Rick and Morty: O maior 'wtf' que existe. Mas hei, 9,2/10 no imdb...)

sábado, outubro 10, 2015

Para a vida mudar

Se procurarmos um bocadinho por um bom filme (às vezes nem precisa de ser um filme assim tão bom) ou um bom livro (que também não tem de ser assim tão bom), podemos ler nas histórias, principalmente nos finais felizes, uma altura que uma determinada personagem decide mudar alguma coisa: uma atitude, uma perspectiva, uma maneira de pensar... qualquer coisa que muda o curso da sua vida, e as coisas começam a fazer sentido. No entanto, parece instantâneo. 

Quando é que isso nos acontece?

A sério?! Quando é que eu vou olhar para mim e para minha vida, e ver que tudo faz sentido? Quando é que os meus amigos e a minha família vão olhar para mim e pensar: A Vanessa é uma pessoa com as ideias no sítio, e está num bom caminho. Eu pessoalmente olho para mim própria e penso que ando perdida, e às vezes demasiado focada em mim própria quando deveria valorizar os meus amigos, a minha família, e as coisas boas que acontecem na minha vida. Fico demasiado focada nos meus problemas, nos meus dramas, nas minha inseguranças, e presa a sentimentos antigos, passados da validade, que por algum motivo não pareço ter forças para deixar ir. 

Onde está a linha que separa o momento em que estamos demasiado enterrados na nossa vida, quando nos deveríamos estar a concentrar mais nos outros e nas pessoas que são importantes para nós?

Quantos joules de energia são necessários para mudar uma vida?

Nicas




sábado, setembro 26, 2015

Depois de uma noite muito má...

Sente-se que já se leva alguma boa bagagem em cima, quando se sente num buraco, e mesmo assim consegue-se resistir àquela vontade infantil de ir fazer asneira.


Nicas

Gent

Ora cá estou em Gent.... Quando fui para Barcelona estava numa momento da minha vida muito parecido com o momento em que estou agora. Estava perdida, e cheia de desgosto. Pouca sorte a minha que o desgosto tem o mesmo nome, e está um pouco maior agora. Quem disse que deixar ir não era fácil, não estava a brincar...

Quando estava a vir para a Bélgica a minha cabeça não estava cá. Tem graça porque antes de vir estava cheia de medos irracionais, mas assim que o avião se levantou no ar, já não pensava muito em nada. Tinha a cabeça dispersa, mas vazia. Não é todos os dias que o amanhã é uma paisagem incógnita, e todo o que se sabe são vagas instruções de um sítio onde se tem de ir a determinadas horas, e não se tem a menor imagem desse sítio. O que foram expectativas nos dias (semanas e meses) anteriores transformou-se em nada.

A Bélgica é muito verde. É a primeira coisa de nos apercebemos quando o avião começa a descer, quase a querer tocar na paisagem. As pessoas são uma mistura de latinos com europeus do norte. Tem melhor forma física que nós portugueses, quando mais não fosse por andarem tanto de bicicleta. As pessoas nem são fechadas nem abertas, simplesmente são o que são.

Chove imenso, e anda-se muito molhado, mas é uma coisa a que pessoa se acostuma. Já dizia um professor meu que o ser humano não se dissolve na água.

Os Erasmus internacionais (maioria espanhóis, que são muito porreiros) são bastante mais cromos que o Erasmus de Barcelona, e todos eles me fazem sentir que já não tenho idade para estas vidas. Deu-me uma saudade tão grande que andei a fazer stalking aos meus amigos de Barcelona. Mas nada disto é comparável. Quando cheguei a Barcelona eu era das mais novinhas, eu era a crominha, agora estou no 6º ano, sou das mais velhas, e já cá não estou para ir às aulas, estou aqui trabalhar, com um sentido completamente diferente de responsabilidade.

Verdade seja dita, Gent tem imensa pinta. Gostava que me soubesse mais a casa, mas ainda é cedo. Barcelona demorou imenso tempo a saber a casa. As coisas demoraram imenso tem a acontecer, e as amizades a crescer. Por isso, não é de esperar que aqui seja diferente, tal como não seria, se eu voltasse agora neste momento a Barcelona, seria como começar tudo de novo. Até voltar para Lisboa, bolas... senti-me uma extraterrestre, a desdenhar de tudo. Aqui também desdenho de tudo, tipo... Não posso usar VISA no supermercado! Mas é fixe poder andar de bicicleta para todo o lado...

Nicas

domingo, abril 12, 2015

O problema da auto-estima

Na passada terça-feira fiz algo que já vinha há muito tempo para fazer: fiz uma progressiva. O que é uma progressiva? É o contrário de uma permanente. Se uma permanente deixa o cabelo sempre encaracolado, a progressiva deixa o cabelo o sempre liso. E assim miraculosamente, o cabelo fica logo liso, sem precisar de alisador nem de nada. 

Eu antes de o fazer achava que finalmente, ia deixar de me preocupar com o cabelo, e me ia sentir mais confiante. Nada disso. Percebi que engordei, que andei a descuidar-me desde o Verão passado, e sítios onde a roupa estava folgada, já começa a ficar apertada. Que se nota um enchaço na zona da barriga. Mas pior! O cabelo assim depois da progressiva fica oleoso mais depressa, e como se pode usar um champô que faça muita espuma, não fica bem lavado, e em cima fica sempre esquisito. Mas pronto, está bonito assim depois de lavadinho. Está comprido. Mas parece que não condiz com o meu corpo. Sinto-me uma matrafona. A minha roupa não fica bem nas minha novas medidas. A minha prima até disse que eu não estava gorda, estava curvilínea, que é o mesmo que dizer: pois, engordaste um bocadinho. Eu não tenho roupa  para isso! Sinto-me mal. Preciso de trabalhar nisso...

Mas estes pensamentos um tanto pessoais, merecem uma revisão mais profunda. Até que ponto é que as medidas têm significado? Pois eu diria psicológico. A guerra mediática pelo o que é o corpo perfeito, nunca deixou de ser subjectiva. Uma mulher magrinha não é bonita por isso, e uma mulher gordinha não é feia por isso de todo também. Tudo é subjectivo. Umas pessoas são mais bonitas de determinadas formas. Há pessoas que ficam mais bonitas com uma carinha redondinha, e outras que feições mais finas. Há pessoas que se sabem vestir bem de acordo com o corpo que têm, e outras que não. Mas lá está! Tudo depende. Eu acredito que nós temos o direito de, saudavelmente, alterar ou melhorar coisas em nós de que não gostamos. O que está errado é a pressão social subjacente. É muitíssimo difícil uma pessoa ter uma opinião racional e exacta de si própria, e é necessário não se brincar com isso.

Nicas

sexta-feira, março 28, 2014

Reflexão depois do ter estado no site da ATP

De momento estou a fazer uma ronha de estudar um cadeira que é 'rollo' muito grande, é que Tecnologia dels Aliments, e venho falar de ténis. Pronto, vá, é reflexão não é preciso perceber de ténis.

Um jogador de ténis pode ser contante, dar sempre o mesmo tipo de batalha ao adversário, ter os seus pontos fortes, e jogá-los bem em todos os encontros. No fundo, podemos esperar sempre que um Rafael Nadal e uma Serena Williams em plena forma física, dificilmente percam um encontro.

Ora quem gosta de 'máquinas' estáveis, e que pode esperar sempre um bom resultado, acaba por ser fã de jogadores assim. Eu não gosto, talvez porque não me identifique...

Na vida em geral, ou nas coisas que interessam à maioria das pessoas, eu sou uma falhada. Demorei muito e tirar a essa frustração da cabeça, Barcelona ajudou um bocado 'moltes gràcies', e aprendi que o facto de ser falhada ou não, não tem nada que ver com o que interessa à maioria das pessoas, tem a ver comigo própria. Claro que isto é óbvio, mas às vezes o tem a ver connosco próprios também tem a ver com os outros, dependemos deles. É díficil não me achar uma falhada quando alguém que é me próximo me faz uma crítica negativa nesse sentido.

Mas onde eu queria chegar é que as vitórias são relativas. Para uma pessoa que ganha sempre, ganhar significa pouco, e o mesmo se passa com uma pessoa que não se considere 'falhada'. Eu não me importo de sofrer mais a torcer pelo mais fraco do encontro, porque tenho noção das probabilidades, sei que vai perder, mas se ganhar... Oh, se ganhar...!

Eu não importo de ter falhado, ter feito errado, porque quando eu acertar... Oh, quando acertar...!

Nicas

sábado, março 15, 2014


quinta-feira, março 13, 2014

Não quero voltar

Estava ali no dorme-não-dorme, um dos momentos mais inspiradores da vida da pessoa, tal como os duches, e estava a sentir-me tão comfortably numb, que me apercebi que não quero voltar a Portugal. Quero ver os meus amigos, quero estar com a minha família, mas não quero voltar a título definitivo.

Quero ficar aqui, onde as possibilidades continuam tão altas, onde estou tão livre para sair como para ficar em casa, onde não tenho de me preocupar com a opinião de ninguém, onde as minha inseguranças pesam tão pouco. No fundo, quero continuar em fuga...

Descobri que Lisboa me deixa insegura. Gosto tanto dos catalães, aqui em Barcelona é que percebi o que quero mesmo da vida... Estou entusiasmada com a veterinária.

Quero continuar a andar em fuga.

Então agora ando a fazer pesquisas, a procurar possibilidades de fazer internatos o mais longe possível, nem me importo que a minha mãe me queira matar por isso. Estive a ver Austrália, Nova Zelândia, porque os meus professores disseram que é um sítio onde estão a precisar de veterinários para grandes animais, e vou começar a ver África e alguns países da América do Sul, com o Brasil como preferência. No final do 5º ano fujo outra vez, mas com mais estilo e para mais longe. Vou à procura de um sítio onde precisem de mim.



Nicas

terça-feira, março 11, 2014

Gravity

Eu não vi os Óscares, mas como toda a gente que não viu os Óscares, eu tenho uma opinião sobre o assunto na mesma.

Ora, quem viu o filme Gravity, e não percebeu porque é que o filme ganhou tantos prémios, é porque não percebeu nada do filme. Quem viu aquele filme e foi capaz de trocar de lugar com a Sandra Bullock uns segundos, percebe que o filme é espetacular, e nem todos os filmes precisam de ter uma grande história para serem bons filmes. O filme tem um mensagem instrínseca fantástica, e eu vivi mesmo aquilo tudo.

Claro que pronto, eu queria ser astronauta quando era pequena (e de vez enquanto ainda quero...) mas mesmo assim, acho que posso dizer de uma maneira não muito parcial que o filme é brutal, e na simplicidade, o que o faz ainda mais brutal.

Não faço ideia se os outros filmes mereciam mais ganhar ou não, porque não vejo muitos filmes, e sem ser o American Hustle ou Frozen, e mais um ou outro, acho que não vi a maior parte dos que estavam nomeados a categorias. Era para ver o Blue Jasmine, mas não vi...

Nicas

Formigueiros

Uma coisa de que não gosto nada são de frases feitas. Porque são pensamentos que se aplicam ou aplicaram a uma situação numa determinada altura, mas que não significam que se aplique a toda a gente. O mesmo se passa com os conselhos. Quando tenho problemas, vou atrás da sabedoria dos outros, porque vendo de fora, as outras pessoas parecem ter um olhar mais 'limpo' sobre o que se passa, como se pudessem ser um narrador participativo da história. Por algum motivo, sinto que preciso disso.

Ora, a minha teoria é que os conselhos são péssimos. A única frase feita de que gosto é: 'Se os conselhos fossem bons, não se davam, vendiam-se'. O único bom conselho que podemos ter vem de nós próprios. Embora ache que é de lá que vem o problema, a verdade é que é o coração que dá as respostas. Mas deixar que os meus instintos mais primários coordenem a vida, não parece racional, quero lógica... E é quando procuro uma explicação para as coisas e não a encontro, que penso demasiado nas coisas e fico deprimida. 

Como é que é o coração dá as respostas? Porque é dele que vêm aqueles formigueiros, os bons e os maus. Quantas vezes queremos muita alguma coisa, mas sentimos um mau pressentimento, um formigueiro mau... Quantas vezes queremos muita uma coisa, e ela nos sabe bem, como o calor de um sol de inverno? A minha teoria é que as respostas para os problemas estão em deixar que os formigueiros bons comandem a vida, sem pensar muito nisso.

Nicas

sexta-feira, janeiro 24, 2014

En el bar abans de producció animal integrada I

O ser humano é uma máquina. Somos máquinas fantásticas, extremamente complexas, capazes aguentar muito mais do que aquilo que a nossa natureza queixosa gosta de admitir. Só que pronto, também fomos desenhados para nos poupar a nós próprios, usando essa energia máximo só quando necessário.

Eu estou agora mesmo surpreendida comigo própria, eu que passava tanto tempo a queixar-me com falta de tempo e cabeça para estudar com tão poucos dias, e agora, ironia, calharam-me todos os exames numa só semana, é a vida a dizer: Toma lá que já almoçaste...

A vida para mim é extremamente irónica. Basta olhar para as pessoas que me são mais próximas, de quase todas me lembro o momento em que as conheci, e de nenhuma destas me lembro de sequer ter pensado: Ei, esta pessoa vai ser um excelente amiga... Mas acabou por ser. Em contra partida muitas pessoas de quem gostei 'à primeira' não são hoje em dia pessoas a quem possa chamar de amigas sequer. A vida tem destas coisas.

Quando andei no básico também achava que por mais que a vida fosse difícil quando fosse mais velha tudo ia melhorar, e a verdade é que melhorou, mas não no sentido em que eu costumava imaginar. Imaginava muita coisa naquela altura. Às vezes imagino-me a ir ao passado ter comigo mesma e conversar com ela. Provavelmente, não fazia sentido pedir-lhe que fosse ou fizesse as coisas de maneira diferente, talvez alguma coisa ou outra... Mas não muito. Estou-lhe muito agradecida, ela sabia fazer sacrifícios, e sem ela eu não estaria aqui agora no bar da facultat de veterinaria a preparar-se para o último exame e dia, daquela que foi uma semana não tão má como seria de esperar.

Nicas

quinta-feira, janeiro 02, 2014

Resoluções

Para este ano não tenho expectativas. Sempre todas as passagens de ano desejo coisas com as paças, mas este ano não desejei nada... No fundo eu só quero que a vida melhore. 
Só queria deixar de ser esta pessoa sempre tão dramática e preocupada. Este pessoa tão melindrosa que o amanhã não lhe traga aquilo que sonha.
Eu gostava de conseguir facilmente deixar ir. 
Eu só queria depender de mim própria para ser feliz.

De resto vou-me inscrever no ginásio, mas isso como toda a gente o faz, não conta...

Nicas

domingo, dezembro 15, 2013

Ai a vida

Faltam 4 dias para poder voltar a Portugal.
Amanhã tenho um exame e acho que não sei nada daquilo, e olho para os apontamentos que parecem hieróglifos, como um boi para um palácio.
E depois de amanhã vou ter 3 dias para me despedir temporariamente de Barcelona. Negligencio-a muito, coitada, gostava de ter mais tempo...

Hoje também mudei de casa, para um estúdio mais pequeno. Não gostava mesmo da outra casa, mas gostava de duas catalãs que viviam comigo (chaminés, as duas, mas impecáveis) e comecei a chorar na despedida. Pergunto-me como é que tão difícil dizer 'Adeus', mesmo quando algo é tão negativo. As pessoas às vezes dizem que só valorizamos as coisas más. Mas não é verdade. Se assim fosse assim as pessoas não se queixavam tanto, porque já se teriam visto livres do que lhes faz mal. As pessoa agarram-se muito a coisas negativas sem serem capazes de as deixar, porque acreditarem no lado positivo das coisas, por mais pequeno que seja, E depois lá está, queixam-se... E depois quando finalmente dizem adeus, parece que já não havia nada de negativo. São os anti-corpos da mudança.

Mas a Mudança, essa senhora... Precisamos dela.

Nicas

quinta-feira, novembro 14, 2013


sexta-feira, novembro 08, 2013


quarta-feira, novembro 06, 2013

A corrida

Ali estava eu sentada na sala de estar do apartamento da residência, onde já se entranhou o cheiro do tabaco das minhas flatmates, e pensei, pá! Tu mereces isto. Anos a queixar-te de tabaco, do cheiro a tabaco, e a pensar que ideia era essa de fumar e aqui estás tu, bem feita. Com um pouco de álcool um dia aqui a Barcelona, na noite do Barça-Real, dei pela primeira vez uma golfada. Não toci, não senhor, mas aquilo é só horrível, parece que se acabou de chupar directamente o tubo de escape de um automóvel.

Tenho de sair daqui, tenho de ir fazer alguma coisa! Vou correr. Agarro no meu mp3, que já conta 6 anos, (bolas como o tempo passa...) e que agora se encontra cheio daquilo que um amigo meu chamaria de 'pop da moda', visto uma pseudo roupa de correr, 'Fins ara', e lá vou eu pelo passeio fora. Swedish house mafia a animar a malta. O meu plano de correr, é dar a volta à rotunda ao pé da estação de Bellaterra, e voltar, mas pelo caminho encontrei muita gente. Isto de correr assim sozinha à frente das pessoas não me agrada, sinto-me ridícula. Quando já só faltava um bocadinho para chegar à rotunda, voltei para trás. Mas ainda tenho muito energia, 'bora subir e descer escadas. Já tinha acabado quando penso que se calhar aquilo era capaz de ser mais ridículo... Já não quero saber, já passaram algumas músicas, não tarda posso voltar para casa. Olha para mim cheia de energia, ah não espera, está ir embora, ai... A dor de burro... Porquê!? Vou a andar... Não! Não pára! Vai mais devagar, mas não pára. Cá para mim está mas é a armar-te em carapau de corrida. Nada, tu és capaz, vamos lá.

Chego a casa, com o ar e pernas que já não tinha, e estar viva só podia ser sobrenatural. A janela estava aberta,o que é sempre bom, mas a casa precisava de ficar um dia inteiro a arejar para deixar de cheirar a fumo... Já tenho planos para o fim de semana, arejar a casa um dia inteiro. Para alguma coisa tem que dar jeito passar os fins de semana sozinha.

Nicas

Nada de criativo

Nunca escrevi aqui nada de romântico, nada que falasse especificamente de alguém ou um sentimento mais profundo, o que deveria ser estranho, mas não é. Este blog não serve para fazer revelações serve para ser um pouco criativa com o meu mundo. Nada de criativo na minha vida esteva alguma vez relacionado com nada romântico, talvez alguma poesia tristonha, mas isso não vem para aqui, por razões óbvias. Eu não tenho vida amorosa. Mesmo quando pensava que tinha, não tinha, e andava enamorada de nada.

Um dia quando falei de estoicismo no fundo era para consolar uma frustração. Era muito mais fácil viver em alegria estóica do que o desgosto de ter 21 anos e nunca ter aprendido o que é essa coisa fantástica que dizem ser, amar e ser amado.

Nem é como se eu só tivesse maus exemplos de relacionamentos, pelo contrário, e talvez por isso tenha esperado demasiado das pessoas e de mim. Não sou nada confiante, mesmo que pese 50-60 quilos, e ninguém fuja a olhar para mim, nunca me vou sentir suficiente para que fiquem comigo. Mas mesmo já metendo na cabeça que tenho de baixa a fasquia, qualquer que ela seja, e que nem estou assim tão certa que ela exista, a verdade é que, não acontece. Que hei-de fazer? Não posso fazer nada...



Nicas

terça-feira, novembro 05, 2013

De Volta à Catalunha

Aqui estou eu a ver um jogo Real vs. Juventus, provavelmente no único lugar de Espanha onde se torce pela Juventus...

Nicas

terça-feira, outubro 29, 2013

Barça

O dia do jogo Barça vs. Real foi dos melhores dias de sempre aqui, há muito tempo que não me sentia e divertia assim. O Cristiano Ronaldo, que levava as mãos à cabeça, claro que não me deixou feliz, e festejei muito o único golo do Real. Mas o Barça ganhou naquela altura um lugar especial no meu coração.
A parte mais gira foi mesmo depois do jogo, e de ter andado de um lado para o lado pelo carrer aribau, onde a malta se encontrou toda. Até deu gosto falar de futebol, e perceber que a malta conhecia os jogadores portugueses e as equipas portuguesas; 'Benfica? Yes... But you know Sporting?', 'Sporting de Lisboa? Yes, I know of course'. Nunca gostei tanto de futebol como naquele dia.
A parte mais gira de esta a viver numa residência é que se conhecem tantas pessoas, que as pessoas que estão connosco no início, não são as mesmo que estão no final: 'Where is?... Wow, what are you doing here?'. Por mais portuguesa que seja, acho que nunca vou esquecer daquele dia/noite.




Nicas (Tenho de ir mesmo a Camp Nou)

Eu e esta mania

O stress está-me no sangue, eu sou descendente de pessoas notoriamente nervosas que pensam demasiado nas coisas, e para quem nada está bem se não forem elas a fazê-las. Para eu não ser assim tenho de fazer um esforço. Estando de Erasmus é normal que nada seja como eu queira ou como eu idealize. A ideia é ir com a corrente. "Respira fundo Vanessa, respira... Segue os teus próprios conselhos que vai ficar tudo bem". E fica...

Nicas


domingo, outubro 27, 2013


terça-feira, outubro 22, 2013



Why can't I be as fabulous as this woman?

Nicas

segunda-feira, outubro 21, 2013

“Imagina um Portugal-França” no play-off?"

“Imagina um Portugal-França” no play-off?

Imprensa estrangeira destaca a possibilidade de um duelo Cristiano vs Ribery no sorteio de hoje.

NÃOOOOOOOOOO!!!!!

Nicas

sexta-feira, outubro 18, 2013

Passive agressive

Eu não gosto de pessoas passivo-agressivas, não trazem nada de bom, e é uma perda de tempo sê-lo. Assertividade é o que se quer. Mas agora que me dá muito vontade de rir, dá.



Esta imagem estava na página de facebook A Verdadeira Cabra, e tinha a legenda:
Carrego nas minhas "mãos" a chama que acendi com o ódio das invejosas. Beijo 
Nicas (Genial...)

Alone with the city

Era muito pequena quando conheci Lisboa, colossal para mim na altura, a capital era uma mistura de pessoas com carros, edifícios e luzes. Ir a Lisboa para mim era a fuga do verão. Mais tarde quando tinha de escolher para onde queria ir estudar quando fosse para a Universidade, dizia muitas vezes: Lisboa não, está mais do que vista Lisboa. Mas acabei por escolhê-la na mesma. Depois apaixonei-me por ela, por passear por ela sozinha, explorando-lhe as ruas e conhecendo-lhe os sítios.

Mas talvez ela nunca me tenha perdoado a traição de a considerar mais do que vista, e nunca me deu muito dela, nunca a vivi em pleno, e nunca cresci muito com ela.

Agora aqui em Barcelona, a caminho de casa sozinha, por estas ruas orgulhosas imponentes catalãs, é que entendo o quão insignificante se pode ser neste mundo. O não ter ninguém para quem voltar... Até o telemóvel tinha morrido. Só uns trocos na carteira, e cartão praticamente sem dinheiro suficiente sequer para levantar. Mas é meia noite e ainda passam por mim estrangeiros (como eu) de bicicleta, ainda pessoas passeiam o cão, mas mesmo assim quando chegar ao ferrocarril já não vou ter comboio para voltar para casa, e vou ter de esperar por autocarro da noite que só começa a circular à uma e meia, e eu aqui sozinha, estou a pôr-me a jeito, vou pensado.

Mas antes vou ter de ir para a Praça da Catalunha que nem sei em que direcção fica. Pergunto às pessoas na rua: Plaça de Catalunya, cerca daquí? No, no... No es cerca. Ainda tenho viagens nos bilhetes, bastantes, vou procurar um autocarro. Apanho um autocarro que vai tão atrasado que já nem era suposto estar a circular. Às tantas vou sozinha nele e o condutor pergunta-me para onde vou, Plaça da Catalunya digo eu, Ferrocarril, e o condutor responde que me vai dizer cerca do ferrocarril, que se der uma corrida ainda o apanho, mas qual quê? Não apanho nada. Corro na mesma... Quando chego o senhor da estação pergunta-me qual quero apanhar, S2, S2 já partiu, bem me parecia. Lá vou eu para a paragem do autocarro. McDonalds! O melhor consolo para quem tem de esperar uma hora e vinte, e está morta de fome, por não ter conseguido comer nada onde era suposto estar, e não ali sozinha. Compro um Happy Meal,e calha-me um Louigi no brinde, como é que mesmo tão fora de contexto aquilo me causou tanta nostalgia? E consolei a barriga. 

Olho para as luzes da rua: Barcelona, estás a querer ensinar-me alguma coisa hoje? A parte boa é que posso esperar pelo autocarro ali dentro, porque como o telemóvel morreu não tenho música para ouvir. Are you wainting for the bus too? Bellaterra? Era uma moça que estava aqui sentada com o telemóvel quando eu entrei. Yes, just lost the train... UAB, eramus? Era holandesa, chamava-se Loulou, estava contente porque tinha discutido com o namorado, mas entretanto estava a falar com ele pelo telemóvel e já estava tudo bem, gostava mesmo dele, não conseguia imaginar-se sem ele, e já estava cansada de 'sleeping around'. Pedia desculpa por estar sempre com o telemóvel, e eu digo que entendo, se tivesse um namorado também ia quer andar sempre assim... Vanessa! Isto encontra-se tudo aqui! Era uma amiga portuguesa do Porto que andava a passear com os amigos de uma amiga lituana que vivia com ela e desistiu do eramus, mas entretanto os amigos já tinha comprado as passagens, e ela teve de recebê-los pela amiga porque ela entretanto já tinha 'fugido' para a Lituânia. E pronto, logo deixei de estar sozinha. Chego a casa, deito-me... Oh Barcelona, estamos a começar a conhecer-nos melhor.

Nicas

domingo, outubro 13, 2013

segunda-feira, outubro 07, 2013

Pablo Picasso

Já não me lembro se no metro do saldanha, ou no metro da cidade universitária, ou em nenhum deles, está a seguinte frase de Cesário Verde: "Se eu não morresse nunca e eternamente buscasse e conseguisse a perfeição das coisas!". Parvoíce, a vida não é buscar a perfeição das coisas, talvez o seja nas nossas coisas, e constantemente aprendermos a aperfeiçoar-nos e aquilo que fazemos, mas a vida é aprender a conviver com a imperfeição das coisas.

Ontem fui ver o museu do Picasso, e aqui em Barcelona não estão expostas as suas principais obras, mas sim a sua história. A minha opinião é que no início, Picasso pintava como era suposto pintar, tentando buscar a perfeição da realidade, a aceitação das pessoas... Mas com o tempo foi como se se tivesse libertado completamente disso, e começasse apenas só a pintar aquilo que queria. Como se do dia para a noite, Picasso tivesse ganho sentido de humor e aceitou que a perfeição não existe, e em vez de só pintar, começou a divertir-se.

Sinceramente, não gosto particularmente muito da obra de Picasso. Havia uma parte que era sobre pombos, e tudo aquilo parecia coisa feita por crianças, ou por adultos que desenhassem muito mal. Mas depois haviam alguns que eu pensava - Este até nem me importava de ter em minha casa, como o Jacqueline. Para apreciar o trabalho de Picasso é preciso ter imenso sentido de humor, e pensar que tudo aquilo é feito por alguém que realmente sabe pintar.


Nicas

sábado, outubro 05, 2013

Diário de Barcelona - Erasmus

Dias 25, 26, 26, 28, e 29


Boas, vou terminar por aqui, hoje precisamente, dia 5 de Outubro é o dia 30, ou seja, já fez um mês que aqui estou. A não vou escrever mais, porque os dias são cada vez mais rotineiros, vou tendo menos que escrever.
Esta semana passou rápido, tive alguma aulas, mas poucas, e tive a quarta feira toda livre. Ter um dia inteiro livre é muito esquisito, principalmente quando se tem aquela sensação esquisita que não há nada para fazer, mesmo dando uma olhadela nos powerpoits, parece sempre tudo tão inútil... Ainda vou querer este tempo todo de volta.
Depois não fiz mais nada. Queria ver se este fim de semana ia ao Museu Picasso, e outro sítios giros, mas pronto não sei... Seja como for tenho muito que estudar.
E pronto fico por aqui com o Diário de um mês em Barcelona, um cidade lindíssima, com balanço positivo, apesar das inevitáveis saudades.

Nicas

segunda-feira, setembro 30, 2013

Autárquicas

Ainda bem que não estou em Portugal agora...

Por causa destas verdades que até custam a ler...

Nicas ("«Cristiano Ronaldo felicita Rui Costa e João Sousa»: patético, lamentável, vão todos para o raio que os parta." Mas o que é que o Cristiano Ronaldo tem a ver com isso? Falta de respeito...)

domingo, setembro 29, 2013

Diário de Barcelona - Erasmus

Dias 22, 23 e 24

Estes dias, esta semana em geral, foram particularmente esquisitos, andei sempre cansada, e sem vontade de fazer nada, até ontem, dia em que bebi e fui sair.

Uma das poucas coisas que já aprendi com a vida, é que as coisas raramente vêm até ti quando as queres muito, quando esperas por elas. A maior parte das coisas boas gostam de nos apanhar desprevenidos. Quando tenho um bocado de álcool no sangue apercebo-me sempre muito disso, porque falo imenso, mas imenso, sou extremamente chata, e acaba por me acontecer de tudo um pouco, bom e mau, mas sempre extremamente embaraçoso.

Eu e o álcool combinamos muito mal. Mas não sei porquê, finalmente me sinto em Barcelona. Um desprendimento brutal mas controlado, porque enfim, porque é que me hei-de preocupar tanto? Toda a gente bebeu, toda a gente fez coisas parvas, a única diferença que tem é que a mim não me acontece muito, e é sempre estranho quando acontece.

Mas onde eu queria chegar é que normalmente bebe-se porque se quer que aconteça alguma coisa boa, queremos esquecer ou deixar de pensar em alguma coisa má... A mim o que acontece é mais uma dor de cabeça enorme, e "face palm" o dia todo, a rezar para que ninguém se lembre de alguma coisa que o disse ou fiz. No fundo, não é resolver um problema, é mais arranjar outro. Mas bolas, estou em Barcelona, ainda não tinha feito nada estúpido, fiz ontem pronto, e oxalá não me esqueça desta dor de cabeça para ver se recupero o juízo, porque não é nada disto assim que eu quero... "Face palm".

Enfim... Não interessa....

Nicas ("Face palm")

sábado, setembro 28, 2013

Rascunhos

Tenho imensos rascunhos guardados aqui no blogger. De vez quando abro-os, mas nunca os recomeço, porque me parecem sempre maus. Maus no sentido de estúpidos, mal escritos, como se eu na altura tivesse alguma coisa entalada para escrever, mas estivesse à procura de outra forma de dizê-lo, e depois desistisse.

Aquelas frustrações miudinhas e egoístas de alguém que tem tanta mas tanta sorte, e que não consegue vê-la, e depois acorda e pensa: "Não! Então? Isto é estúpido...". Não conseguir ver a sorte que se tem é talvez o maior erro de todos, e que nos impede de ser felizes...


Nicas

quinta-feira, setembro 26, 2013

" 'Para ti, fui só um entretenimento' é uma acusação mais frequentemente feita por mulheres do que por homens. A versão masculina dessa 'revelação' é mais uma gratidão em fuga: 'Obrigado por teres entretido tão maravilhosamente! Que pena quereres mais do que isso... agora vou ter de andar à procura de outra coisa ou pessoa capaz de me entreter sempre que me fartar de enfrentar a minha vida'."
 Miguel Esteves Cardoso

Nicas (E fica tudo dito, e tudo explicado...)

Diário de Barcelona - Erasmus

Dia 19, 20 e 21


Os catalães não gostam de trabalhar (mas também, quem gosta?) e por causa da La Mercé fizeram ponte da segunda, resultado quatro dias sem trabalhar. Mas a La Mercé é um celebração muito bonita. Tem dragões que cospem fogo, projecções no city wall, desfiles com bonecos gigantes, e fogo de artifício brutal.

Resultado, eu com um grupo de eramus, sobe La Rambla, desce La Rambla. Gótico para cima, gótico para baixo. Barceloneta sim, berceloneta não. Estes dias todos. Cansada e só a comer tapas. Mas valeu a pena!


Nicas

segunda-feira, setembro 23, 2013

Diário de Barcelona - Erasmus

Dia 14, 15, 16, 17, 18


Este dias foram todos muito normais, salvo terem sido cansativos. Cada ida à cidade é meia-hora para ir, e meia-hora para voltar. Apanhei um ritmo tal, que ter ficado em casa ontem o dia todo fez-me mal, fiquei ansiosa, não descansei nada, não estudei nada, e deitei-me cedo.

Os fim-de-semana são um pouco dolorosos. Talvez sejam os dias mais dolorosos, porque costumavam ser dias passados em família, mesmo que fossem em casa, e agora se eu ficar em casa, sou só eu sozinha, sem a mãe e sem o pai, sem a avó, os tios e os primos, e por vezes as irmãs. Por mais aborrecido que pudesse ser, ao menos eles estavam lá, e perguntavam sempre ao final do dia: Então agora quando é que cá vens?
Agora só lá vou dia 31 de Outubro.

Não há nada melhor do que estar longe para se dar valor a estas pequenas coisas.
Ontem fiquei em casa porque a malta quis ir à praia. Não percebo esta atracção por praia, principalmente esta, que não é grande coisa. Quando disse aos alemães e aos suecos que a última coisa de que sentia falta era de praia, e não tinha vontade de ir experimentar a de Barceloneta, eles responderam-me: Mas tu és portuguesa! Fair enough.

Mas sou uma parvalhona porque depois fiquei em casa a pensar no que estivesse a perder, enquanto tentava ler um artigo de 14 páginas sobre medicina da cavidade oral.

No entanto, como me disse uma amiga, cada um aproveita à sua maneira, não há um guião de como as pessoas têm de aproveitar enquanto estão de Erasmus. A ideia deveria ser mesmo essa, fazer o que quisermos, sem pensar muito, apenas viver o desprendimento e a liberdade de estar longe, e de todas as experiências serem passageiras. Daqui a um ano já aqui não estarei, já não vou estar com nenhum dos amigos que aqui fiz, e vou voltar à rotina lisboeta de estudante de sempre. Por isso talvez seja melhor isso mesmo. Não pensar muito e pronto.

"Muito depende de sermos capazes de estar no momento em que estamos, sem pensar no que fizemos para ali estar ou nos preocuparmos onde vamos a seguir. Se pudéssemos ser inteiramente inteligentes, não pensaríamos senão no momento em que estivéssemos, sem expectativas. Para estarmos à espera, sem saber de quê."
Miguel Esteves Cardoso 
Nicas

quinta-feira, setembro 19, 2013

quarta-feira, setembro 18, 2013

Diário de Barcelona - Erasmus

Dias 11, 12 e 13

Dia 16 foi o dia do regresso da malta catalã e espanhola à Vila Universitária. A Vila ganhou vida. Eu que era tão comichosa para dormir com barulhos e luzes, aqui perdi isso, e adormeço mesmo a ouvir amena cavaqueira na rua em espanhol e catalão. Nos relvados são só pessoas a falar, nos bares a ver futebol, a jogar basquetebol, futebol, ping-pong no pátio central, a conversar nas varandas, com os computadores nos bancos dos jardins, todo o dia gente nova a passar: "Hola! Bon dia!"

No outro dia estava a passar na rua, e ouvi de uma janela: "Qui ets?"; "Sóc una estudiant de erasmus.", "D'on ets?", "De Portugal", "Oh Portugal!". E pronto é até onde vou no que toca a falar catalão.
Já tenho casa cheia. Todas elas fumam, mas a janelas são grandes! Só estou com medo do cheiro que vai ficar no Inverno quando estiver frio, e elas já não queiram fumar na varanda... Mas enfim, espírito aberto. Hábito estranho esse de fumar. Não entendo. Elas são porreiras, é fácil falar com elas, e estão a ajudar-me com o espanhol e o catalão. Como diz a minha irmã: "Aulas ao domicílio! Queres melhor?"

Eu continuo a stressar. É por causa da faculdade, é por causa do banco e do dinheiro, é por causa das saídas à noite que quero e não quero ir, é por causa de ainda não conhecer nada de Barcelona, é por estar longe, é por causa do bilhete de avião para Portugal... Só queria ouvir a voz certa de alguém que me dissesse: Take it easy! Mas não importa que oiça isso de ninguém, que a minha cabeça não acredita, e stressa, stressa muito, e com tudo. Não sei o que se passa comigo...
Só queria que a minha vida agora condizê-se com esta música:



Nicas

Living young and wild and free... 'Tá bem

Uma coisa que eu nunca percebi foram frases feitas, principalmente coisa do género YOLO, e coisas assim. O que é, exactamente, viver o momento? Porque às vezes parece que em vez de eu estar aqui sentada a escrever isto, é pôr-me em cima da cadeira, meter a música alta, e começar a dizer às minha colegas de residência para se porem a dançar. Faz algum sentido isso? Isso de querer que as pessoas vivam a vida assim?

"So what we get drunk
So what we smoke weed
We're just having fun
We don't care who sees
So what we go out
That's how its supposed to be
Living young and wild and free"

Pronto, qual é o sentido disso? Para mim não é o que é supposed to be, porque não é que eu gosto de fazer.
A ideia é que apenas quando saís à noite e saís da tua zona de conforto é que conheces as pessoas, e fazes amigos, te divertes, e quem sabe, encontras alguém especial.
Mas qual é a diferença de encontrares alguém especial numa festa (onde nem sempre é assim tão mais fácil e certo), ou num starbucks, ou onde quer que seja? Se o objectivo era conheceres alguém especial, ou viver grandes aventuras, tanto faz se for no supermercado, no meio do mato, ou numa discoteca.
E qual é ideia, de lá por eu estar de Erasmus ter de ir às festas todas? E se eu não aguentar tanto, e achar que é melhor dormir, e que é melhor estudar? Quando se for sair vou ficar com um raio de um enorme peso de consciência no dia a seguir. E para quê, porque é que eu hei-de de andar ansiosa, com medo de não estar a aproveitar a vida, como os outros gostavam que eu estivesse a aproveitar se eu me sinto bem agora, por exemplo aqui, assim só a escrever?
YOLO sim senhora, como quiserem, como se sentirem bem, como acharem que é supposed to be, mesmo que seja a sair à noite todos a dias, ou a dormir oito horas todas as noite, mas o que quiserem, com o que foram felizes a fazer, quando vos apetecer. Pode ser?

Nicas

terça-feira, setembro 17, 2013


domingo, setembro 15, 2013


Diário de Barcelona - Erasmus

Dia 7, 8, 9 e 10

Agora já começa a ser diferente. Já é preciso estudar, já preciso aprender espanhol e catalão... Já começo a conheço mais pessoas, a fazer mais coisas, e como sei que as pessoas estão perto de mim embora longe, não me sinto tão sozinha. Sabendo que vou poder voltar no fim de semana do 1 de Novembro, porque eles aqui esse feriado não tiraram, e é o meu preferido, por causa dos kinders, é consolador. O tempo passa num instante não é?

Em Lisboa eu fui delegada de cadeira. O que sucede em Lisboa é exactamente isso, delegam-nos um pouco de poder, dizem-nos: organizem-se! Aqui não, aqui dão horários semanais que são isto:


Já viram que simples? Não... E pior é que vou ter me orientar por três coisas destas, que mudam todas as semanas, e cujas as aulas se podem sobrepor, e eles são esquisitos com as trocas de horários, mesmo para nós eramus que não temos outra alternativa. Mas enfim, vai-se desenrascando.

O dia-a-dia vai-se tornando mais fácil. 

Ontem foi sábado e não tinha nada para fazer. Entretanto estava no facebook que iam organizar jogos de volei e de futebol para a tarde. Depois de tentar estudar um pouco, agarrei em mim e lá fui eu. Encontrei uma série de erasmus que ainda não tinha conhecido. Encontrei uma portuguesa. Fartei-me de ouvir asneiras em francês de dois colegas franceses mesmo engraçados. Perguntaram-me em que ano andava, e quando disse que era de 4ºano, ficaram a olhar para mim: So you are a master then... E eu fiquei: Pois... Yes... I guess so, I'm on my master's years. Ser aluna de mestrado é uma coisa que quando se está em mestrado integrado, já por si não se dá muito valor porque pronto tem de ser. Mas quando disseram que eu era master, soube mesmo bem, principalmente porque era a única que estava de 4ºano, o resto era tudo de 3ºano. Master ou não, parti-me toda, mas soube mesmo bem.

Nicas

quarta-feira, setembro 11, 2013


terça-feira, setembro 10, 2013

Diário de Barcelona - Erasmus

Dia 4, 5 e 6

São os chatos que conseguem sempre tudo o que querem. Ora ganham pela persistência, ora ganham pelo cansaço, mas ganham. Então eu, para ver se ponho isto das equivalências a andar para a frente, ando a ser uma grande chata. A maneira da minha professora me mostrar isso, foi acrescentando um ponto de interrogação onde no assunto do meu e-mail estava "com urgência". Pedi-lhe desculpa depois na resposta...

Já estou a ter aulas, e estou a gostar da maneira dos espanhóis darem as aulas, como eles normalmente enquanto falam já falam como se estivessem a explicar coisas às pessoas, nas aulas percebe-se tudo muito bem porque eles acrescentam-se sempre "d'accord" e "vale" no final das frases. Percebo tudo que eles dizem, mas não sei falar patavina. Depois começo a falar inglês com os colegas, e eles sem saberem responder-me, acrescentam: "You speak good english", dá cá ao ganho... Devia saber era espanhol.

Já conheço a minha colega da quarto, acho que é boa rapariga, mas é um bocadinho estranha, só quero que ela respeite o meu espaço e as minhas coisas...

Bolas, ainda me sinto tão sozinha às vezes, e com vontade de chorar, só gostava de ter alguém mais próximo aqui com quem pudesse falar bem, português ou portuguesa. 

Ontem fiz anos, e o meu colega que veio comigo comprou um bolo de gelado para me cantarem os parabéns. Foi muito giro, é bom estar com pessoas de outros países e com a abertura de espírito de estarem fora dos seus países e querem conhecer pessoas.

Mas antes, ainda à uma da manhã abri o presentes que os meus amigos me deram para eu abrir cá no meu dia de anos, e comecei a chorar imenso não sei se tristeza ou de facilidade, mas de certeza de gratidão pela imensa sorte que eu tenho por ter pessoas tão espetaculares na minha vida. E depois chorei outra vez à noite depois dos telefonemas, e da video conferência que fiz com a família.... Sou uma mariquinhas, é que eu digo.

No Facebook agradeci a toda a gente que me mandou os parabéns individualmente, com muita gente a desejar-me felicidades em Barcelona, que aproveitasse e me divertisse.

Até agora gostei de toda a gente daqui, só não tive sorte com as asiáticas, e espero que não possa vir a dizer o mesmo da minha colega de quarto... Ai Jesus...

Nicas

domingo, setembro 08, 2013

Miguel Esteves Cardoso



Ando a ler este livro, que por incrível que pareça é a coisa mais ternurenta que existe. Até onde eu li, conta a história que como o autor tem estado a superar o cancro da sua mulher de quem gosta muito, e fala dela com uma ternura espetacular. Tem muita comédia também, e dá que pensar...

Nicas

Diário de Barcelona - Erasmus

Dia 1, 2 e 3

Devia dar outro nome a isto, devia chamá-lo: Diário de uma mariquinhas, porque é isso que sou, uma mariquinhas. Por um lado eu desculpo-me a mim própria, ninguém controla os próprios nervos, e pensar que se está longe mesmo que só à três dias faz-me comichão na glândula lacrimal. Mas tenho de me controlar por isso tenho de começar a escrever como são as coisas por aqui, para pôr as coisas em perspectiva com um pouco de sentido de humor.

Ora, o colega que veio comigo é um tipo simpático, tem sido muito prestável e não me deixa sozinha, o que é muito fixe, mas é um tipo muito pessimista. Mas deve ser uma coisa de portugueses porque conhecemos cá mais portugueses e são ambos muito pessimistas também, está tudo mal. O que não me ajuda nada! Por isso gostei de ter conhecido outras pessoas. Pessoas de muitos sítios, e muito bem dispostas. Se bem que quando as oiço dizer que estão cá sem saber se vão ter equivalências mas que não querem saber, está o caldo entornado, e vêem as lágrimas outra vez porque eu não quero perder um ano, e isso ataca-me os nervos. Posso ficar com três cadeiras para fazer para o ano, mas isso eu cá me arranjo, agora o ano todo, não, por favor!

Mas é preciso é calma e apertar os calos à Dona Leonilde do gabinete de Erasmus da FMV que não sei porquê não tem sido grande ajuda. Podia fazer um meme com ela a dizer: You had one job...

Isto aqui na UAB é tudo muito verde e bem organizado, é uma mini cidade, tem um hotel, um cabeleireiro, mercearia, uma clinica de óptica... A residência é gira. Ainda não conheço as minhas colegas de quarto, que deve ser catalãs, porque deixaram por cá as coisas e foram embora. Conheci uma delas, que deixou cá as coisas e foi embora. Pareceu-me simpática. Os catalães são simpáticos.

A malta de Erasmus tem de tudo um pouco. Há pessoas mesmo muito simpáticas e acessíveis, e há outras que nem tanto. Há pessoas que parecem normais, e outras muito estranhas. Até agora as mais estranhas foram os asiáticos, e os menos acessíveis foram os do norte da europa (mas conheci alemães muito simpáticos) que são um bocado snobs. Mas no geral é fácil falar com as pessoas.

Estou mesmo ansiosa é por começar as aulas e conhecer mais pessoas de veterinária. Este ano é que vou mesmo começar a estudar desde o início, porque não tenho outra alternativa, não posso desperdiçar o ano. Claro que quero divertir-me muito, mas não vou desperdiçar o ano. Ai não, vou sair daqui com tudo feito!

Tenho falado com a minha mãe todos os dias. Ontem, antes de desligar o telefone mas depois de ter acabado de falar comigo, ouvi-a a dizer para os meus tios que estavam com ela do outro lado da linha: Só lá está à dois dias, e já diz que tem saudades. Sou mesmo uma marquinhas...

Deixo aqui isto, só que porque sim. Tem piada...


Nicas

domingo, setembro 01, 2013

Setembro

Setembro, é a segunda passagem de ano. É o famoso mês do: 'Este ano é que é, vou começar a estudar logo no início.'; que nunca acontece...

O meu horóscopo de hoje é:
You are stretching your wings today because you believe that pretty much anything is possible. The previous limitations you placed on yourself enabled you to keep your feet on the ground, but now you are ready to fly. Whatever you want to do begins in your mind. Dream about it first, and then do whatever it takes to make your vision real.
Não sei porque me sinto hoje ligeiramente inspirada, mas sinto. Sinto que é um recomeço. É altura de respirar fundo, de perdoar o Mundo, e me perdoar a mim própría. Setembre é o meu mês, é para começá-lo com pensamento positivo.

Nicas

domingo, maio 12, 2013

Toma lá que já almoçaste

Perdeu-se me a Sharapova!
É bem feita para mim para não vir para aqui falar mal do Benfica e Serena Williams...

Nicas

Energia anti-Benfica

Eu ando anti-Benfica. Nada contra ninguém, é simplesmente meu. Ganhei uma muinha, uma muinha malvada, como se andasse sempre tudo a correr bem àquela gente, e se lhes faltasse a humildade de vencedor.

Eu tenho dois grandes ídolos do ténis, o Roger Federer e a Maria Sharapova, que são dois exemplos de como ganhar é uma energia positiva, e não um combustível para o ego. Mas no futebol há toda uma guerra de egos que é insuportável. É tão bom saber perder como saber ganhar. É a diferença entre ganhar porque se é bom, e o ganhar porque os outros são maus.

Em boa justiça, acho que o Benfica devia ganhar todas as finais, porque chegou até lá. Se formos a ver não descuraram nenhuma competição, dedicaram-se a todas, chegaram a três finais, e isso é de louvar. Mas agora, chegar lá e andar a desfazer os outros clubes é outra coisa completamente diferente. Não me dá vontade nenhuma de os ver ganhar, porque sei que se isso acontecer, vou ter de aturar aquele ego maldito durante muito tempo, e por isso se em vez disso, andarem de orelhas baixas é mais confortável para mim, que já não posso ouvir falar de Benfica. Antes o Porto, ao menos eles ganham sempre, já não é novidade, e o ego não cresce, fica do mesmo tamanho. Eu conheço muitos benfiquistas com um mau ganhar que dói.

Por exemplo, eu adoro ver o Djokovic a partir raquetes, e a Serena Williams a reclamar com o juízes de linha. Ambos grandes jogadores! Mas que não gosto de ver ganhar, porque quando perdem é muito mais giro. Ver benfiquistas aziados é do melhor. O melhor benfiquista do Mundo é o meu pai, e por ele nem me importava nada que o Benfica ganhasse e eu sentisse o ego dos outros benfiquistas todos, mas ele não tem ligado a futebol ultimamente.

Nicas

sábado, maio 11, 2013

Higiene

Preparar a época de exames é algo que deve ser feito desde o início... No início! Não é agora. Então eu, inteligência rara, só comecei a preparar-se agora. A primeira leva foi de Higiene.


Higiene:
-a arte de viver em plena saúde
- a ciência que ensina a conservar e
melhorar a saúde
- o estudo e a aplicação dos meios não
clínicos apropriados para criarem, para o
Homem, na vida individual e colectiva, as
condições favoráveis à saúde

Ai minha vida... Pior só quando:


TODOS OS NAVIOS
Devem ser concebidos e construídos de forma a não provocar a
contaminação dos produtos com águas residuais do fundo do
porão, resíduos de esgotos, fumos, combustível, óleo,
lubrificantes ou outras substâncias nocivas
Sorte marreca, que seca...

Nicas

sexta-feira, maio 10, 2013

Wilde

Hoje andava particularmente bem-disposta. Claro que me custou torresmos a levantar da cama. Claro que me atrasei a sair de casa. Claro que as minha aulas acabaram todas tarde, e em todas elas tinha uma vontade insuportável de comer ou de ir à casa de banho. No entanto, estava bem-disposta, e depois de uma conversa no metro com uma colega minha, dei por mim a citar Oscar Wilde: "Há duas tragédias na vida: uma a de não satisfazermos os nossos desejos, a outra a de os satisfazermos.", isto porque ela queria ir para Barcelona mas entrou em Córdoba, e ficou completamente conformada dizendo que se foi assim que aconteceu, era porque era assim que tinha de acontecer.

Nós não nascemos para termos tudo o que queremos, mas sim aquilo que de alguma forma "foi feito para nós". Eu não acredito em destino como já disse, mas sim na capacidade da vida de acontecer como faça sentido. Há coisas que fazem sentido lutarmos por elas, há outras que não.

Mas a angustia da perda é qualquer coisa que faz um vazio no peito, uma dor que chega a ser física até, é uma completa e total descoordenação entre cérebro e coração. Passado algum tempo (muito às vezes) esse vazio preenche-se com uma sensação reconfortante de conformismo, e as coisas começam a fazer sentido.

Eu adoro os Rolling Stones, têm a capacidade de pôr uma letra triste numa música alegre (quantas vezes não cantei já alegremente: "I wanna see you painted, painted black, black as the night, black as the coil!"), e eles têm uma música que retrata muito bem isto:




Nicas

sábado, maio 04, 2013

Don Juan DeMarco

Estou a ver uma filme chamado Don Juan DeMarco porque pensei que ia ser um filme de época.

Eu gosto de filmes de época, é engraçado saber como as coisas eram antigamente. Havia muito menos com que se entreter, então parece que as miúdas nasciam já a saber que se tinham de casar. Tudo quando é filme de época tem o casamento como lobby. Não sei se lobby é o termo correcto, no entanto... Embora agora se saiba mais facilmente de tudo de uma pessoa, a pressão social naquela altura era maior. As pessoas eram um pouco hipócritas, por exemplo Anna Karenina, mas hoje em dia, acho que perderam mesmo foi a decência... Mas isso é outra conversa, e eu não sou ninguém para julgar ninguém, e já falei aqui de hipocrisia, por isso é melhor estar calada...

Voltando ao filme, tenho estado o filme todo a fazer caretas. Este Johnny Depp está a matar-me de riso! Ora, então o filme passa-se num manicónio, e o Don Juan está a contar a história dele. O ideal daquilo que as mulheres querem descrito pelo personagem roça um pouco no cómico. Pessoalmente, um homem assim tão fogoso é para ter dose recomendada, e de para aí duas horas por dia só... Mas quem sou eu para falar? Se alguma vez tiver duas na vida toda já vou com sorte.

Quem é que participa no filme também? O Marlon Brando, já velhote, gordinho, com pouco charme, mas não deixa de ser irónico.

Voltando ao que as mulheres querem, isso não existe. Não existe uma lista que generaliza tudo aquilo que uma mulher quer num homem. Mas uma coisa é certa, a existir é tudo cliché e senso comum...

Nicas (Entretanto já vi o anúncio da Beyoncé cinco vezes, sinto-me hostilizada... Pronto, vá, uma hora na vida toda.)

domingo, abril 28, 2013

Just Dance

Na Mtv passa uma série chamada  The Inbetweenrs que na minha opinião é uma série muito tonta, que só vejo quando faço zapping, e que conta a história de um grupo de rapazes adolescentes que estão alí um pouco a encontrar-se a eles próprios, e tentar crescer como pessoas, mas na forma mais tonta, palerma e cómica possível.
Num dos episódios, um dos personagens está numa festa, e tudo parecia estar a correr-lhe mal. Então um professor diz-lhe qualquer coisa como: "Tudo isso que te preocupa agora, não vai significar nada no principal cenário da tua vida, por isso dança. Dança, porque um dia vais ter preocupações, mas agora não tens.". E depois o moço lá começa a dançar que nem um doido, e forma-se um círculo à volta dele... Enfim, coisas que acontecem sempre aos adolescentes americanos.
Parece filosofia da treta.
Na verdade, cada vez acredito mais nessas coisas. Não posso dizer que tudo me corra bem, pelo contrário, acho que nunca me senti tão mal comigo própria, como que derrotada numa batalha que nunca foi minha de ganhar. Mas não se pode baixar a cabeça, temos mesmo é que deixar ir, e dançar... Pôr uma música porreira, ter a certeza que ninguém está a ver, e abanar o cabelo que nem uma atrasada mental.
Vou para Barcelona 9 meses, por isso vai passar a ser a minha 3º casa, é uma vitória. E lá está, voltando às frases feitas: "Nada acontece por acaso". Acho que não aconteceu por acaso, pelo contrário veio mesmo a calhar, mesmo a jeito de "dançar".

 Nicas

quarta-feira, abril 03, 2013

Aquele livro... Aquele de que não me lembro o nome

Há uns anos a minha irmã mais velha lembrou-se de me oferecer a mim, e à minha irmã do meio umas prendas mais educativas, então ofereceu-nos livros (que ela atenciosamente leu antes do nos oferecer). A mim ofereceu-me "O Principezinho", e à minha irmã do meio ofereceu um livro também do mesmo tamanho, um pouco mais adulto mas muito mau, muito mau mesmo.
Era a história que uma mulher que tinha tido uma vida complicada. A vida dela tinha dado muitas voltas, muitas voltas mesmo... Aquele livro lia-se num dia, com alguma dedicação, dedicação essa que eu confesso que não tive. Mas hoje andei ali à volta da estante e desfolhei-o pela curiosidade. Mesmo sendo mau, o livro tinha uma frase que tinha graça: "Se tiveres de fazer o pino para seres feliz, o resultado vai ser uma grande dor de cabeça.". Tem graça, porque é mesmo assim...

Nicas

sexta-feira, março 08, 2013

Faturas

Acho bem, e se estivesse com muita inspiração escrevia aqui uma coisita revoltada a dizer que os meus pais descontam tudo, os funcionários públicos descontam na origem tudo também, e por isso, o café também vale.
Vou decorar o número para melhor contribuir! (Olho para o cartão...) Esqueçam, não vai acontecer...

Nicas

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

Arco da velha

Este fim de semana esteve mau tempo, choveu e tal... Não que eu queira falar do tempo, nada disso.
Estava eu a voltar à sexta para casa de carro com a minha prima, e caiu uma chova de granizo de repente, que ela teve mesmo de abrandar porque não se via nada. Mais frente, ela diz-me:
- Já viste, até as gaivotas estão desorientadas!
- Pois, se levasses com a uma pedra na cabeça também ficavas desorientada...
- Ah, essa foi boa!

Há uns anos, ainda no básico fiz um trabalho sobre lendas e superstições, e lembro-me que havia uma superstição que dizia que as pessoas quando passavam debaixo de um arco-íris mudavam de homem para mulher, ou de mulher para homem. Uma parvoíce, mas enfim...
Na altura escrevi isto: Arco-íris
Lembrei disto à minha mãe no carro porque estava um arco-íris completo no céu na altura. Não houve nada melhor na altura do que rir daquela forma.

Nicas

sexta-feira, fevereiro 08, 2013

O Limão

Já cá não vinha dar um passeio desde de Setembro. Não tinha nada de especial para contar. Ou se calhar até tive, mas apesar de mulher (ou amostra) não consigo pensar em várias coisas ao mesmo tempo, e quando há um lugar no meu cérebro que se torna demasiado sentimental, o outro lado senta-se a vê-lo fazer disparates em vez de o acalmar e dizer assim: "É pá, então e quando a funcionária da secundária levou com o cortinado na cara e pensar que era um pássaro, quando te escapuliste para dentro da sala para evitar... Ah, olha acho eu que devias decorar estas coisas, são capazes de sair no exame..." Não, senta-se só e fica a ver...

Mas pronto, onde é que eu ia? Ah pois, o Limão...
Ora o Limão é o professor da Propedêutica Cirúrgica. Um tipo respeitável, um pouco sarcástico, que faz  exames difíceis mas que deixa copiar. Sorte a minha que nunca calho na sala dele.
Eu gostava de Cirúrgica, e dedicava-lhe a especial atenção de acordar às 6 da manhã para ir às aulas, na tentativa de ficar a saber mais.
No Facebook há uma página com o memes da minha faculdade. Há lá um que se adequava mesmo a mim, diz assim: "Bad Luck Bryan: Vai às teóricas todas. Não sabe nada nas práticas.". Tiro e queda! Quando na aula da ovariectomia ele disse que ia anestesiar a gata com quetamina, eu fiquei: "Mas o que raio é quetamina?".
Por falar em castração, eu não sei qual é o entusiasmo do meus colegas com estas coisas, que enchem os murais deles com coisas dessas da faculdade... Uma vez ia caindo da cadeira quando um colega publica: "Primeira castração =D", e um amigo dele comentou: "Então e doeu-te muito?".
Adiante...
Ironia ou não, chumbei a Cirúrgica, e passei ali um pouco de Inferno, por vários motivos. Mas agora que passei com um 10 que nem Biofísica, percebi que realmente é um pouco "amargo" admitir que se andou a acordar às 6 da manhã todas as quintas e sextas-feiras de um semestre para depois se ir chumbar no exame da cadeira.


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quinta-feira, setembro 06, 2012

Setembro

Setembro é o segundo ano novo. É uma altura de recomeço, de fazer planos, de mudar coisas.

Hoje comecei a ver uma série cujos episódios têm menos de 10 minutos, chama-se Dating Rules from My Future Self, e conta a história de uma rapariga que recebe mensagens dela própria do futuro a partir do telemóvel, e que no fundo se vai aconselhando a fazer determinadas escolhas. Quem não gostava de se ter a si mesmo do futuro a dizer "Não faças isso que vai dar mau resultado!" antes de tomar uma decisão? Se bem que a minha perspectiva da vida não é essa. Eu acredito que as coisas acontecem por um motivo. Não falo de destino nem de predestinação, mas sim do poder do Presente de acontecer conforme faça sentido.

Uma coisa parecida, mas igualmente gira, é escrever uma carta para o nosso "futuro eu". A escrevê-la, acho que começava a assim: "Então sua inútil!? Tinha uma data de planos para ti... Aposto que não concretizaste nenhum!". A vida é mesmo assim, sempre o contrário daquilo que queremos que seja, e para sermos felizes temos de nos adaptar e gostar dela exactamente assim, inconstante, imprevisível... e  muitas vezes desapontante, mas também com muitas coisas boas, que é importante que não sejam esquecidas.




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segunda-feira, setembro 03, 2012

Superstição, lógica e coincidência

Eu gosto tanto de supersticiosos como gosto de fundamentalistas - Muito pouco. Contudo, consigo encontrar razão nos argumentos de ambos.
Um supersticioso normalmente gosta de ver o que lhe reserva o horóscopo, coisa que eu às vezes faço, e devo confessar que às vezes faz algum sentido.
Algumas superstições fazem sentido. Por exemplo, não sacudir tapetes à noite - Se houver pouca luz não se consegue ver se há alguma coisa em cima do tapete, logo se o sacudir posso perder um brinco pela janela fora, eventualmente. Ou deixar a carteira no chão, que se perde dinheiro - Deixar a carteira no chão é desleixo. Se outra pessoa encontrar uma carteira no chão, mesmo que seja em casa, pode bisbilhota a sacar de uma moedita.
Mas eu fiquei apanhada por uma superstição digamos que muito pouco inteligente, que tem a ver com ver as horas e os minutos iguais. Estava-me sempre a acontecer e fiquei apanhada por aquilo porque depois há uns tontos que dizem que têm significados... creepy. 
Uma coisa é certa, a superstição só afecta quem acredita nela, porque depois fazemos o cérebro pensar demais nas coisas e associamos a superstição a coincidências que acontecem. É melhor acreditar em coincidências do que pensar demasiado.

Os nossos cérebros são máquinas de reconhecimento de padrões juntando os pedaços e dando sentido aos padrões que nós pensamos ver na natureza. Realmente A está ligado a B, e ás vezes não está , diz ele . Quando não está nos erramos ao pensar que está, mas na sua maior parte este processo não nos vai remover a carga genética, e o pensamento mágico vai ser sempre uma parte da condição humana.
in http://www.oqueeisso.blog.br/?p=1322

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sábado, agosto 18, 2012

O bailarico de Verão

Eu nunca fui bem aquilo que o popular chama de juventude ou "mocidão", que é basicamente aquela malta que faz poucas-vergonhas, e trata os mais velhos por "tu". Eu nem os meus pais trato por "tu", Deus me livre!
Mas a "mocidão" é interessante. Se por um lado acha tudo uma seca, não dispensa um bailarico de Verão, onde figuram a bater o pé ao som de Quim Barreiro, com o belo do telemóvel na mão a mandar "lol"s. Não prestam atenção é letra. Mas não fazia diferença porque há letras da Rihanna bem piores e mais explicitas.
Eu gosto dos bailaricos e presto atenção às letras porque gosto de me rir um bocadinho. Os meus pais sempre gostaram muito de ir a festinhas, e embora eu fosse sempre a primeira a querer ir embora, não era um sacrifício assim tão grande, a não ser pelo facto de eu ter má circulação nas pernas.
O meu bailarico preferido é o cá de terra, que de todos os que há é capaz de ser dos mais insignificantes e pequenos, mas lá está, dá-me um arrepio nostálgico. Os meus pais deixaram de ir lá tanto porque dizem que tem muita gente conhecida. Eu não conheço a maior parte das pessoas da minha terra, e só falo com a "mocidão" de cá nestas alturas.



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terça-feira, agosto 14, 2012

Dia 4

Esqueci-me! Foi o regresso a casa. Mas primeiro fomos a Albufeira, onde a praia estava horrível.

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quarta-feira, agosto 08, 2012

Dia 3

Hoje venho falar de um fenómeno fantástico que eu espero não ser a única pessoa que repara. Vou chamá-lo Fenómeno do Hotel. Este fenómeno consiste em despertar a semente da educação no típico saloio assim que se vê num hotel (e com muita sorte em residenciais, albergarias, e até hosteís). Claro está que se a semente não existir, como acontece em muitos indivíduos que acham que quem fala mais alto e pior ganha, o fenómeno não se verifica. Hoje consegui observar um sujeito, com uma pala a dizer "Portugal", uma T-shirt "Corona", uns calções com dragões e óculos escuros postos dentro de quatro parede, a caminhar educadamente pelo buffet, e a retirar com uma habilidade rara a delicada fatia de queijo da travessa recorrendo ao respectivo instrumento, crítica possível para uma Paula Bobone, se calhar, não faço ideia.

É coisa que me faz ganhar uma mínima esperança na Humanidade.

O dia ainda não acabou, mas foi normalíssimo outra vez. Como a final foi ontem, hoje não há halterofilismo ao jantar.

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Dia 2

O dia foi normalíssimo, mas à noite a coisa não correr bem. Erámos para ir a um Festival de Marisco, e como me deram a mim a função de confirmar na internet, chegámos a Faro (48km - 25 minutos daqui) e o festival já tinha acabado no domingo - Face palm. Resultado: Jantámos às dez horas, novamente a ver halterofilismo.

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segunda-feira, agosto 06, 2012

Dia 1

Três anos depois, lá partimos nós a caminho de Algarve novamente.

Ao contrário de 2009, ano marcado pelas artes marciais de sudoku da Manuela Ferreira Leite, este ano está a ser marcado pelos Jogos Olímpicos, e pelo meu quase ataque cardíaco ao saber que quem tinha ganho o medalha de ouro do ténis foi o Murray - a vingança foi finalmente servida. Hoje à hora de jantar estava tudo entusiasmado a ver halterofilismo. Até agora para não variar muito, que para isso temos o IVA e é sempre a subir, contamos com boas classificações mas nenhuma medalha.

Este ano não houve nem LUX nem lipoaspirações de apresentadores, mas havia a CARAS onde também houve cirurgia, mas como foi a Cinha Jardim, não conta.

Quanto à road-trip, fui o caminho todo a dormir. Fiquei espantada porque achava que nunca tinha chegado ao Algarve tão rápido. São coisas que se perdem quando só se dorme coisa de 5 horas.

A crise está bem presente. O hotel foi substituído pela albergaria, a gigantesca praia por uma praia pequenita que fica à sombra a partir de uma certa hora, e os nadadores-salvadores jovens deram lugar a senhores na casa dos 40.

São férias que perderam em qualidade de facto. Mas o espírito está todo cá.

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terça-feira, julho 31, 2012

Eu não sou daqui

Fala-se muito de crise económica, mas para mim o que há uma crise de valores. Hoje estava a ouvir uma música dos The Verve e lembrei-me da minha irmã mais velha. Na altura em que a minha irmã tinha a minha idade ninguém tinha telemóvel, mas toda a gente se encontrava, toda a gente convivia. Eu devia ter nascido uns anos antes.

Gostava de ter tido 20 anos nos anos '90. Talvez pelo mesmo motivo que toda a gente quer viver numa época anterior, como Woody Allen retrata no Midnight in Paris. A questão é que vivemos num época mesmo má comparada com há 20 atrás. Naquela altura a pessoas podiam pensar num Futuro. Eu não tenho noção de Futuro. A coisa mais parecida que tenho, é que em Setembro vou para o 3º ano de faculdade. E não querendo armar-me em vidente, a minha mãe não tarda vêm me gritar para ir almoçar.

A minha irmã mais velha ainda teve uma certeza que quando acabasse o curso de Enfermagem ia ter emprego. Isso hoje é ficção cientifica.

Ficção científica é ser bom ser-se reservado e boa pessoa. Quanto menos valores tiveres e mais egoísta e egocêntrico fores, melhor. A televisão bombardeia-te com isso, enche-te de complexos. Não é que estas coisas nunca tenham existido, mas agora parece que se multiplicou. Ah, mas mais importante: Não gosto de viver numa época em que vê Morangos com Açúcar, e as pessoas têm um péssimo gosto musical.

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